SUPERIORIDADE NUMÉRICA

Atualizado: Abr 13

NUNO LOUREIRO Professor Ensino Superior | Treinador UEFA A



Esta crónica, como não podia deixar de ser, tem de ser relacionada com o momento muito particular que vivemos atualmente, o confinamento em casa a que grande parte da população está sujeita neste momento, como resposta (leia-se guerra) ao COVID 19. No meu caso, faço o que posso, neste dia em que escrevo esta crónica, estou no meu décimo oitavo dia de isolamento social.

COVID 19, esse vírus que a todos nos atemorizou e atemoriza, de repente apareceu e mudou tudo. Nessa mudança vou falar acerca de dois aspetos, na minha opinião, importantes, o exemplo do Desporto na resposta pronta à mudança exigida e as implicações destas mudanças para o futebol.

As implicações para o futebol, as quais ainda não conseguimos antecipar por completo, podem ser divididas em implicações de curto/médio prazo e de longo prazo. As implicações de curto/médio prazo, que são as que teremos imediatamente após o final do isolamento (apesar de não termos a noção de quando podemos voltar a fazer uma vida normal, se é que alguma vez as coisas serão como eram antigamente, eu sinceramente espero que não sejam exatamente iguais, que TODOS NÓS possamos aprender com esta situação) e as de longo prazo que vão decorrer fruto desta paragem forçada das competições e que vão obrigar a adiamentos de grandes competições (como Jogos Olímpicos e Europeu de Futebol, que entretanto já foram adiados para o Verão de 2021).

No curto/médio já sabemos que implicou o cancelamento de todos os Campeonatos Nacionais e distritais de futebol jovem, tendo a época 2019/2020 terminado sem campeões, descidas, etc (eu concordo com esse cancelamento, pois em primeiro lugar está a saúde). Estamos à espera do que vai suceder nos campeonatos de seniores, dos profissionais aos distritais. Se nos jovens o cancelamento é fácil de resolver, pois permite iniciar a próxima época dentro dos calendários normais (esperemos nós que até lá, já tenhamos ganho esta guerra), nos campeonatos seniores, devido às questões financeiras derivadas de subidas e descidas de divisão e participação nas provas europeias (principalmente), penso que a solução não vai ser tão simples e de tão grande consenso, e uma coisa é certa, vai ter implicações sérias na preparação da próxima época desportiva a todos os níveis, desde início da próxima época (se esta época terminar em final de junho, com jogos de 3 em 3 dias, quando começa a próxima?), competições (vamos prescindir de organizar a Taça da Liga, ou outra?), constituição de planteis, questões financeiras (com os ajustes de contratos de jogadores, patrocínios, etc). Vamos ver o que vai acontecer (sendo que

possivelmente, quando esta crónica sair, a solução dever ser conhecida e presumivelmente, muito alarido deve ter provocado).

No longo prazo, o adiamento das grandes competições, nomeadamente dos Jogos Olímpicos, Europeu de Futebol, Copa América, etc., para o verão de 2021, vai implicar alterações também ao nível dos calendários das provas domésticas e europeias. Não havendo o devido cuidado, podemos cair facilmente na tentação de promover uma grande densidade competitiva e fazer com que possam existir consequências físicas para os jogadores, ou seja corremos o risco de ter grandes competições sem os melhores jogadores. É preciso não esquecer que apesar de os atletas continuarem todos a treinar, estão em casa, sem competição, pelo que vai ser necessário existir um grande cuidado no seu retorno aos treinos (quanto maior for o tempo de isolamento a que estejam sujeitos, mais cuidados exigem).

Para terminar quero aqui enaltecer a resposta pronta e por vezes até mais célere do que podíamos esperar, de todas as instituições desportivas, clubes, associações e federações, cancelando treinos, competições, torneios, etc., sendo dos primeiros a dar exemplo e contribuindo de forma positiva para o isolamento social, que esperamos que possa ter contribuído para que não tenha existido um maior contágio entre a população e desse modo, permitir que esta guerra seja ganha mais rapidamente e com menos baixas.

Fazendo a ponte com a minha crónica anterior, onde falei sobre o talento do treinador português, destaco a competência e exemplo dos treinadores, que foram dos primeiros a FICAR EM CASA, mas continuaram a acompanhar e a “dar treino” aos seus jogadores, contribuindo para que os jogadores pudessem ter atividade desportiva em casa (fundamental para ajudar a viver nestes momentos de isolamento), através das inúmeras plataformas digitais disponíveis e com estratégias muito diferentes, criativas e inovadoras. Parabéns e obrigado.


PS – Neste momento, os que não podemos contribuir ativamente no combate in sitio ao vírus, temos um papel fundamental FICAR EM CASA.


#JUNTOS VAMOS GANHAR ESTA GUERRA

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