RUI NARCISO FALA DOS QUADROS COMPETITIVOS DO FUTEBOL NACIONAL

Atualizado: Abr 13



No atual contexto, que cenário seria o mais justo para o futuro dos quadros competitivos do futebol não profissional?

O momento deveria ser aproveitado para tornar o Campeonato Portugal uma competição diferente de acesso às Ligas Profissionais e em minha opinião deveria ser organizado conforme a descrição gráfica.


O alargamento do número de equipas no futebol nacional será inevitável?

Num momento tão delicado que o Planeta atravessa, a Federação deu por terminado (é factual) o Campeonato Portugal e a AF Lisboa também o fez no Distrito, porque impera a saúde da comunidade. No entanto deixou espaço em aberto por decidir, sobretudo no que compreende as descidas e subidas de divisão e acrescenta “A FPF continuará a estudar com as associações distritais e regionais os moldes em que decorrerão as competições não profissionais na época 2020/2021” … posto isto fica a “janela” aberta para uma possível alteração aos quadros competitivos, algo que já se exige fazer há algum tempo. Julgo que deverá passar pelo aumento do número de equipas, mas deveria haver restruturação e não apenas um aumento de séries.


A reformulação que existiu nos últimos anos não vai de encontro aquilo que a federação portuguesa de futebol tinha se pronunciado como uma medida para ajudar os clubes...

O atual Campeonato Portugal criado com outro nome (Campeonato Nacional de Seniores) na época 2013/2014, coincidiu também com a extinção de um escalão nacional (3ª Divisão). Sendo que segundo me recordo um dos argumentos fortes, a aproximação geográfica e a redução de custos de deslocação com 8 séries de 10 equipas. Acontece que com o passar dos anos foram existindo adaptações e no momento com as 4 series de 18 equipas, esse pressuposto desapareceu (e não foi de agora).


Há quem diga que é revoltante a forma como se apuram os promovidos para as ligas profissionais.

A Pandemia que nos assola e que trouxe o final antecipado das competições, irá trazer também inevitáveis injustiças competitivas, por isso seria o momento de aproveitar para alterar o quadro competitivo nacional (não profissional). Os sentimentos de injustiça irão sempre permanecer ficando jornadas por disputar, apenas será possível minimizar algumas.

No atual quadro competitivo o regime de subidas não classifico de injusto, pois os Clube sabem à partida com o que contam, mas em minha opinião ser 1º após 34 jornadas deveria subir de divisão.


Não seria mais justo subirem mais equipas?

A justiça nisso terá sempre duas perspectivas, a de quem quer subir e investe forte para isso e subindo duas equipas em 72 é muito difícil e depois o lado de quem investiu muito e já subiu e não quer descer que também é aceitável.

Partindo de um pressuposto que provavelmente nunca será alterado, que é o numero de equipas que desce das competições profissionais (2ª Liga) para o campeonato Portugal, pois os clubes que lá se encontram, protegem-se nisso de forma natural (pois subir é duro desportivamente e financeiramente), tem de ser a competição não profissional a ajustar-se e tornar-se mais justa e competitiva (volto a frisar que o objetivo não é resolver o problema agora existente de subidas e descidas).


Que estímulos têm os clubes a investir sabendo que só dois clubes sobem?

O Campeonato de Portugal vive há anos um problema grave de injustiça desportiva, pois ao fim de 34 jornadas o 1º classificado nada ganha além da manutenção, exige-se então uma participação num playoff de subida, tão desejado, mas de onde se encontrarão apenas duas equipas para subir num conjunto final de 8 equipas apuradas entre 72. No que diz respeito ás descidas, são as normais 20 equipas que permitem a entrada de tantas outras campeãs por distrito e muito bem. Acaba por ser pouco estimulante e dar poucas garantias.


Deveriam de ser impostas condições estruturais a clubes que sobem desportivamente para os patamares profissionais?

Algumas equipas não chegam preparadas para esta competição de entrada para as Ligas Profissionais e quando o digo, não me refiro financeiramente, ou de competência de pessoas, mas sim, sobretudo infra-estruturas que permitem crescimentos sustentados e no que diz respeito ao acesso à 2ª Liga isso também acontece, mas existem timings para regularizar condições, poderão é ser demasiado grandes.


Que sentido faz de uma equipa subir aos campeonatos profissionais e jogar longe do seu estádio?

Na minha opinião não faz qualquer sentido (apesar de exceções a regras com justificação plena), os Clubes têm de se preparar para o futuro de forma sustentada. Vimos o Casa Pia este ano que fez parte da época em Mafra mas voltou ao seu estádio ou seja era uma situação presa por pormenores mas foi o limiar do aceitável em minha opinião.




#vamostodosficarbem

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