Rubrica: Bola p'rá frente


Junho de 2020. Esta era a altura de terminar a época, com vários torneios agendados para pôr o ponto final no que vinha sendo um 2019/20 de bom nível. Desta vez o final surgiu abruptamente três meses antes, de uma forma silenciosa e em forma de bomba invisível, que mudou todos os nossos hábitos e rotinas. De repente vimo-nos privados do cheiro da relva, do som da bola a rolar, do movimento das redes, do apoio vindo de fora, da entrega e dedicação dos adultos que por prazer se sacrificam em prol do desporto, e do carinho daquelas crianças que alegre e inocentemente semana após semana davam, e darão, o seu melhor em treinos e jogos, à chuva, ao frio, ao sol, ao vento, sob qualquer tipo de clima, mas sempre com uma alegria contagiante. Portugal viu recentemente o regresso do desporto-rei com o retomar da primeira liga, ficando todos os restantes campeonatos cancelados. O futebol não profissional vive momentos de incerteza, com a crise a atingir diversos clubes, com extremas dificuldades alguns em sobreviver, outro em se manterem nos patamares onde se encontram. E o futuro continua a ser para muitos uma incerteza. No futebol de formação os tempos também são de alguma incerteza. Para quando o regresso? Estamos, e bem espero, todos a apontar para o regresso em tempo normal, entre o final de Agosto e início de Setembro. Um regresso que tem tanto de ansiado como de mais pensado e trabalhado, de forma a nos adaptarmos à realidade que o Covid-19 nos trouxe. E de que forma irão os pais (sim, os pais, pois os miúdos, esses, querem é jogar) reagir ao resultado desta pandemia e o quanto isso pode influenciar a sua confiança nesta sã realidade a que os seus filhos se submeteram no passado recente… Enquanto treinador, e salvo alguma fase mais catastrófica que possa mas não conto que aconteça, sou defensor que este regresso é possível dentro dos timings habituais, mediante um adaptar a novas e necessárias regras da ocupação dos recintos desportivos, e sem que o receio se possa apoderar de todos aqueles que contribuem para que o futebol de formação cresça e evolua. Os miúdos precisam do futebol, já é algo que está dentro deles, a responsabilidade que o jogo em si lhes dá, o compromisso, a camaradagem, a criação de um espírito de grupo, o desenvolvimento das suas capacidades, o libertar do stress que a escola lhes dá. O futebol ganha contornos de muito mais que um simples jogo, é acima de tudo uma forma de estar muito singular na vida, e é parte integrante de cada um daqueles que o pratica por amor ao jogo. E nós treinadores? Não somos diferente dos jovens que treinamos, e particularmente vivo já num estado de ansiedade com via ao regresso. Faz falta aquela preocupação de decidir o que vamos fazer no treino, de lidar com aqueles 12, 15, 20 jovens, de berrar, de ensinar, de incentivar, de corrigir. Preparar um jogo, fazer uma convocatória, dar a táctica, , escalonar a equipa titular e roer as unhas ao longo do jogo que ao fim de semana nos rouba horas, nos stressa, nos faz sofrer (no bom sentido), mas que de tanto precisamos para nos mantermos de sorriso na cara. Resta-nos aguardar, esperar que o regresso seja feito sem adiamentos, e preparar-nos para as medidas que esta pandemia nos irá obrigar a tomar. Com seis meses de férias, a fome de bola é muita, Mas a motivação não é menor, a vontade de regressar é imensa e a fé que nos move está no pique da nossa essência. Por isso mesmo, agora que a época estaria a terminar, resta-nos acreditar que a partir de agora é apenas um “até já, futebol”, e que esta pandemia dará as sua tréguas. Assim sendo, até já 2020/21.

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