Rubrica: BOLA DESCOBERTA


José Melícias

Treinador Uefa B

Coordenador Futebol Formação

zemelicias@gmail.com











Fins de Época, princípios de época tempo de reflexão e expectativas:

“Hipocrisia é escrever sobre ter atitudes éticas, de respeito, de educação e de amor ao próximo sabendo que não vai fazê-las ou até que sejam impossíveis de fazê-las dadas as circunstâncias da vida em sociedade”

Marco Aurélio da Silva


Todos os anos no futebol em geral e em específico no futebol formação, o qual abordamos neste artigo, os finais de época coincidem também com as preparações para a época seguinte. Neste ano completamente atípico relacionado com a pandemia que assola o mundo, e mesmo com os términos precoces de todas as provas de futebol formação a nível nacional e as indefinições relativamente à próxima época desportiva, tanto clubes como jogadores estão já algum tempo na sua planificação e idealização da época 2020-2021, sonhando com os novos projectos, ambicionando sempre o melhor para as suas estruturas ou no caso dos jovens atletas, para as suas “carreiras” (gostaria apenas de lhe chamar desenvolvimento pessoal).

Por muito que nesta fase, na perspectiva do clube/instituição, por vezes e para alguns possa valer de tudo e até aproveitar-se da alimentação do sonho de alguém (alguém menor de idade!) só para garantir a presença ou a criação de determinado grupo de trabalho pré idealizado e por vezes pouco fundamentado, penso que o importante é claramente os clubes balizarem as expectativas que possuem para cada atleta e para cada projecto individual e colectivo, abordando os encarregados de educação com uma visão concreta do que será o projecto do clube, das condições que estarão a sua disposição e nunca alimentando os egos dos encarregados de educação, com promessas de factores (titulariedades, importância, etc.) que nenhum coordenador/treinador ou clube controlará, porque tal e qual como na vida o futebol e o desporto em geral, é um resultado dos pequenos/”grandes” esforços diários que todos nós temos de alcançar para obtermos o que tanto ambicionamos, e que o momento é que vai determinar algo positivo ou algo negativo. E alem do mais, e como todos nos o vivenciamos já, este percurso da vida e do desporto é feito de momentos uns melhores outros piores, mas que o que as instituições tem de tentar garantir são valores desportivos para os seus atletas, e que nunca estejam desvirtuados dos valores éticos e humanos que a sociedade tem de se centrar. Todos queremos ganhar, todos queremos ser melhores, todos temos ambições mas não poderá ser a qualquer custo, ou com isso ferir ou ludibriar os sonhos/expectativas de qualquer ser humano e ainda para mais de jovens adolescentes que estão a criar a sua estrutura mental/ comportamental, baseada nos exemplos vindo de NÓS adultos.

Em relação ao atleta e aos encarregados de educação esta fase deverá primeiramente ser uma fase de reflexão relativamente ao clube onde esteve inserido na época transata, questionando-se com a leque de treinadores/formadores que o clube dispõe, qualidade do processo de treino, perfil formativo da instituição, objectivos desportivos para as diversas etapas de formação, as estruturas de apoio dos clubes (apoio médico, apoio educativo, psicólogo, nutricionista, etc). Juntando a isto também fazer uma reflexão interna da evolução que possuíram no clube em questão e do espaço de desenvolvimento que ainda poderão ou não conseguir no projecto que abraçaram na época passada. Após isto, será preciso tomar decisões, essas nunca serão fáceis, mas deverão incidir sempre pelo o respeito e a frontalidade com os clubes aos quais estiveram ligados na época transata, quer seja para a vossa decisão de continuidade, quer seja por uma necessidade de mudar o rumo, aos quais todos estamos livres para o decidir. Esta decisão de continuar ou abandonar os projectos tem de estar sempre bem fundamentada em princípios basilares e nunca em razões supérfluas relacionadas com titularidades, importância no grupo, convocatórias garantidas, tratamentos especiais, etc. porque todos esses factores nunca serão controlados por quem quer que seja, ou melhor serão controlados por quem constantemente apresentar melhores respostas a todos os desafios que o futebol e a vida nos vão colocando, e essa será sempre a melhor forma de educarmos os nossos educandos. Escolham em consciência e sem garantias relacionadas com promessas glamorosas mas com garantias de qualidade do trabalho, de visão global do projecto e principalmente de frontalidade nas decisões e nas opiniões relativamente ao futuro dos vossos homens/ mulheres, e depois dos vossos “futebolistas” / desportistas.

Por fim, reforçar a importância das instituições comunicarem e interagirem mais localmente ajudando-se mutuamente para se sustentarem no seu crescimento, não só num crescimento fundamentado em vitórias mas sim em processos formativos comuns, e processo decisional comum, onde o pensamento global e harmonioso será mais benéfico para o futuro dos nossos desportistas e para a imagem da formação de futebol da região Oeste de Portugal.


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