Projetos


“Projetos”. Uma palavra que entrou há algum tempo no léxico do futebol, usada com bastante frequência, tal como a palavra “ciclos”.

Na sessão de apresentação de Jorge Jesus como novo técnico do Benfica, o super-intitulado técnico aquém e além-Atlântico oriundo de Alfornelos afirmou que os “projetos” no futebol têm início e fim quando as direções dos clubes assim o entendem, dando claramente a entender que a equipa principal de futebol do clube das águias tinha agora um novo “projeto” e até que estava entrando num novo “ciclo”.

No anterior consulado de Jorge Jesus no Benfica, recorde-se, jogadores como Bernardo Silva, João Cancelo e André Gomes, atletas formados no Seixal, não foram devidamente aproveitados para a equipa principal do emblema da Luz porque o “projeto” da mesma nessa altura não passava por apostar em jogadores da formação, mas antes por utilizar jogadores “maduros” ou então jovens talentos importados, em aquisições em que vários intervenientes lucravam.

Com Rui Vitória, um novo “projeto” teve início no Benfica, o qual, segundo o presidente deste clube, passava por o mesmo ter uma equipa principal de futebol baseada em jogadores da formação (ou não tivesse Rui Vitória sido o treinador da equipa de futebol dos juniores das “águias”), tendo com este técnico ribatejano despontado “craques” como Renato Sanches, João Félix ou Gelson Martins. De alguma forma inesperadamente (pelo menos para mim…) o Benfica conseguiu manter a hegemonia no futebol nacional com esse novo “projeto”, o que comprovou que o investimento na formação de jovens futebolistas nacionais pode ser uma aposta ganha, tendo o mesmo tido continuidade depois da saída de Rui Vitória por manifesta incompatibilização com a maioria dos seus jogadores, não obstante a renitência de Luís Filipe Vieira em prescindir dos seus serviços. Sendo uma solução inicialmente provisória, Bruno Lage passou a ser surpreendentemente uma aposta de futuro, dando continuidade ao projeto iniciado por Rui Vitória, com os espetaculares resultados que se conheceram até janeiro. A partir desse mês, o qual coincidiu com a dispendiosíssima contratação de Weigl, a equipa principal do emblema da Luz inicia uma espiral descendente, que leva a massa associativa a pressionar Luís Filipe Vieira a demitir o técnico setubalense.

E subitamente, sentindo o chão a fugir, Luís Filipe Vieira renuncia da noite para o dia a um “projeto” reafirmado durante anos a fio, contratando Jorge Jesus, a antítese do mesmo.

Valerá a pena? O futuro o dirá, mas tenho para mim que o novo “projeto” de Jesus no Benfica não trará consigo propriamente benefícios para o futebol português no que ao investimento na formação diz respeito.

A novela continua. Aguarda-se as cenas dos próximos capítulos num país que, em frente à televisão, parece muitas vezes alienado por um desporto em que os seus principais intérpretes nos relvados nacionais auferem de maquias verdadeiramente obscenas relativamente ao rendimento do comum dos cidadãos… 

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