PROF. NUNO LOUREIRO ABRAÇA PROJETO EM ANGOLA

Numa conversa informal de amigos, o Prof. Nuno Loureiro desvenda, pela primeira vez, à revista 'Amor à Camisola', o seu novo projeto no Petro de Luanda. O lourinhanense partilha, ainda, o que o motiva, aos 43 anos, a partir para uma nova 'aventura', sem esquecer as pessoas que têm marcado a sua carreira e o apoio fulcral da sua esposa.





Quando e como surgiu o convite?

O convite surgiu há cerca de dois ou três meses e na sequência de conversas que fui tendo com o professor Alexandre Santos, começou meio na brincadeira e acabou por avançar. Este é um 'namoro' antigo. O Alexandre Santos já havia manifestado, no passado, interesse em que integrasses a sua equipa técnica. O que levou a decidires que este é o momento certo de aceitar? Não sei se diria 'namoro' antigo, mas uma vez que já tínhamos trabalhado juntos no Real SC, na altura na segunda liga por vezes houve algumas conversas, mas fruto de diferentes circunstâncias, pessoais e profissionais, achei por bem que este seria o melhor momento. Quais os objetivos que pretendes atingir nesta fase da tua carreira? Muito honestamente ganhar mais experiência como treinador e daí trazer também competências para a minha “faceta” de professor de futebol e claro ajudar a equipa e os jogadores a melhorar e contribuir para que o Petro possa ganhar títulos.


Que conhecimento tens do futebol angolano em geral e do Petro de Luanda em particular? Do futebol angolano tenho acompanhado de longe nos últimos anos, pois alguns amigos estavam lá a trabalhar e sempre fomos falando. É um país com muitos jogadores talentosos e com muita vontade de aprender. Sobre o Petro, logicamente nas últimas semanas tenho tentado recolher o máximo de informação possível, para já sei que é um clube bem organizado, muito eclético, com uma estrutura muito profissional e que dá condições aos seus profissionais para poderem fazer o seu trabalho.

São os atuais campeões angolanos, por si só já é elucidativo do patamar de exigência que vais encontrar tanto a nível nacional bem como continental. Sentes-te bem preparado para enfrentar este novo desafio? Sim, o desafio é enorme, pois a época passada foi quase perfeita. Apenas faltou ir à final da liga dos campeões africana, mas o chegar à meia-final e ter estado perto de poder ir à final, pode considerar-se uma vitória. Sinto-me preparado, senão obviamente não aceitaria o desafio. Penso que posso ser mais um a contribuir para o sucesso da equipa. Quando começaste a exercer as tuas novas funções? O estágio iniciou na passada semana, pelo que já estamos a trabalhar a todo o vapor.


Em termos práticos, quais as tarefas que irão passar pelas tuas mãos? Sou um treinador adjunto com intervenção no treino, na análise da equipa e do adversário, pelo que tanto posso estar a intervir no treino, como a gravar o treino com drone e a analisar as imagens, e também analisar a equipa adversária e fazer os respetivos relatórios. A ‘aventura’ noutro continente, numa nova realidade sociocultural. Como encaras este novo passo na tua vida? Neste momento com uma grande expetativa, pois vou para um continente, para um país, para uma cultura que não conheço, por mais que leia, que ouça, que veja, penso que só quando lá chegar, irei perceber o que me espera. Vai ser um desafio completamente diferente de todos os outros, mas tenho a certeza que conseguirei estar à altura das expetativas. A tua carreira no ensino vai sofrer uma pausa. Esperas regressar um dia? Sim, para já vou estar de licença durante 11 meses e neste momento conto regressar às aulas no ano letivo 2023/24. No entanto, no futebol nunca se sabe o dia de amanhã. Honestamente, não penso muito nisso, apenas no que tenho de fazer este ano, o que virá, depois logo se vê. E em relação a família, como irá ser? Essa é a parte mais difícil da equação, estar longe da família, da minha mulher e do meu filho especialmente. São muitas horas de distância e num país que não é fácil de ir em turismo, vai ser duro para nós, mas foi algo que foi decidido em família e achamos que seria uma experiência enriquecedora. Portanto agora, é fazer valer a pena e aproveitar ao máximo. Já tiveste a oportunidade de viver várias experiências bem sucedidas enquanto coordenador e treinador. Além disso, é reconhecida a excelência do teu trabalho enquanto professor. O que te faz mais feliz, a possibilidade de integrar um projeto numa equipa de futebol profissional ao mais alto nível ou dar aulas? Ambas, tenho um prazer enorme em fazer o faço, quer seja enquanto membro de uma equipa técnica, quer seja como professor de futebol na Escola Superior de Desporto de Rio Maior. O que sei é que sou realizado em ambas, porque gosto do que faço e não o encaro como trabalho, mas sim como algo que me motiva. Quanto às experiências bem sucedidas, também tive algumas menos boas, e acredita, nessas aprendi muito mais.


Para concluir, uma última questão, tens subido a pulso na tua carreira profissional. O teu mérito é reconhecido. Há alguém que te tenha marcado mais no teu percurso até agora? Penso que tenho feito um percurso um pouco fora do normal, pois comecei no treino, fui dar aulas na Escola Superior de Desporto, fiz um doutoramento e depois enquanto professor fui convidado para algumas participações no futebol enquanto elemento da equipa técnica. Todas essas experiências foram importantes na minha carreira. Cronologicamente posso dizer que houve várias pessoas que me marcaram de alguma maneira, a primeira o professor José Peseiro, como professor influenciou muito a forma como penso o treino, depois os professores Alexandre Santos e João Paulo Costa enquanto professores e depois colegas, que me influenciaram muito naquilo que sou hoje, nas partilhas diárias, etc. O professor Pedro Sequeira, que foi o meu orientador de doutoramento, que apesar de ser do andebol, deu um contributo decisivo nessa etapa importante da minha carreira académica. Outra pessoa importante foi o mister Nuno Presume, pois convidou-me e desafiou-me a voltar ao treino, numa época onde já estava mais “focado” na parte académica e de investigação. E por último, a minha mulher, pois muitos dos desafios não teriam sido possíveis sem a força e apoio constante dela.


Texto: Duarte Gomes Fotos: Direitos reservados

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