PEDRO CANOA: UMA VIDA LIGADA AO FUTEBOL AO MAIS ALTO NÍVEL

Numa grande entrevista à revista Amor à Camisola, Pedro Canoa fala da sua longa ligação ao futebol. Recordando desde os tempos quando ainda Menino chegou a Alvalade, o orgulho de ter representado a Seleção Nacional... até ao presente e à forma "triste" como saiu do Torreense em 2019, sem esquecer aqueles que sempre o apoiaram e estiveram a seu lado.



Que balanço faz da sua passagem pelo Amora?

- Faço um balanço positivo, foi um projeto que me deu mais maturidade enquanto diretor desportivo, por todas as alterações e ajustes que foi necessário fazer. Entrei numa altura que o plantel já estava formado, mas o mais importante foram os passos que demos para que o Amora se estabilizasse no Campeonato de Portugal. O que mais o marcou esta temporada na Medideira? - Sem dúvida alguma a forma abrupta, e totalmente inesperada, como terminamos a época. Estávamos, finalmente, numa fase em que a equipa estava estável e foi difícil esta interrupção.

Mais uma vez, a exemplo do que já havia acontecido no Torreense, numa fase crítica da época, voltou a apostar no Mister Rui Narciso. É o Treinador em quem mais confia? - O Rui Narciso é um treinador em quem confio e tenho um pleno conhecimento das suas capacidades. Naquele momento, encaixava no perfil necessário. Olhando agora em termos futuros, já tem um novo projeto em vista? - Há muita indefinição em torno do recomeço dos calendários desportivos, o que condiciona tudo o resto, mas ainda assim tenho tido algumas abordagens para integrar alguns projetos, mas não tenho nada formalizado concretamente.   Que objetivos tem na carreira de diretor desportivo? - O meu objetivo é prestar um serviço de excelência em todos os clubes que represento, tal como o fiz enquanto jogador. Valorizar os meus jogadores, dignificar e ajudar a potenciar as instituições onde estou inserido. Fazendo-lhe uma entrevista sobre a sua carreira é inevitável perguntar-lhe: para um profissional que deu tudo o que tinha pelo Torreense dentro e fora de campo, durante cerca de década e meia, que sentimento lhe ficou pela forma como saiu? - No Torreense estive oito anos como jogador e depois seis anos enquanto diretor desportivo, a forma como saí foi um momento triste para mim, mas saí com a consciência tranquila de que sempre fiz tudo para dignificar o nome do Torreense.

A bancada central do Manuel Marques fazia uma vénia a Pedro Canoa, como dirigente era respeitado e idolatrado pelos Torrienses. Na hora da saída que lhe transmitiram? - Os verdadeiros Torrienses, aqueles que sempre estiveram lá, nos momentos bons e nos mais complicados, e foram muitos, agradeceram e reconheceram a minha dedicação, em prol do clube e da cidade.

Encara a possibilidade de um dia regressar ao Torreense enquanto diretor desportivo ou num cargo diretivo? - Sim, é uma hipótese que não descarto... quem sabe? Qual é o seu clube do coração? - Tenho um coração grande: o SC Lourinhanense porque foi o clube onde me iniciei, o Sporting CP porque foi a minha casa durante muitos anos, a minha escola da vida e a instituição que me projetou para o mundo do futebol, e o SCU Torreense, clube da cidade onde nasci e onde passei, ao todo, 14 anos. Desde muito jovem viveu muitas experiências no futebol. No início da sua carreira profissional a ligação ao Sporting Clube de Portugal, jogou em Espanha, teve momentos altos... momentos em que "caiu" e se pensou que era mais um grande talento que se havia perdido... O que é que o futebol lhe deu de melhor? E de pior? Estou no futebol desde os dez anos, tenho 42, não me lembro da minha vida sem o futebol. Deu-me a licenciatura que eu não tirei, devo tudo ao futebol, até mesmo no pior tirei grandes aprendizagens.

Para vingar no futebol, é preciso mais do que ser bom jogador? Sim. Além da qualidade técnica e das aptidões físicas, é muito importante ser muito forte psicologicamente e ter espírito de sacrifício, para ultrapassar os obstáculos que são uma constante, só com uma capacidade de superação grande se consegue chegar a outros níveis. A estabilidade familiar é um fator importante e, claro, a sorte tem que acompanhar também.

Acha que em termos futebolísticos faz sentido a expressão: "ou matas ou morres"? No meu caso nunca levei essas ideias para dentro do campo, ou mesmo fora dele, sempre estive focado em dar o meu melhor em cada treino ou em cada jogo, ou em cada decisão que tenho que tomar agora, como diretor, acho que assim estou mais perto de ter sucesso. Não acho que seja preciso “matar” nada nem ninguém para fazer uma caminhada bem sucedida Foi um dos capitães das Seleccões Nacionais mais jovens, ouvia o nosso hino soar em plenos relvados... o que sonhava nessa altura? - Nessa altura foi um orgulho ter representado Portugal, e só pensava em disfrutar do momento e dar o meu melhor, para ser sempre melhor a cada dia.

Quando deixou de sonhar enquanto jogador? - Enquanto joguei sonhei sempre. Sempre acreditei que podia chegar mais além….sempre tive a ambição de fazer mais e melhor. Para terminar a entrevista, falar um pouco do início da sua carreira ainda Menino... Em tenra idade deixou o Sporting Clube Lourinhanense para ingressar no Grande Sporting Clube de Portugal. Como foi a adaptação dum Menino duma aldeia pequena (Casais do Rijo, Campelos) à realidade de Alvalade e da Capital? - A mudança para Lisboa foi, sem dúvida, a grande mudança na minha vida. A adaptação a Lisboa, aos 13 anos, foi difícil, vivia numa aldeia pacata e, de repente, estava na grande cidade do país, num grande clube, com os melhores jogadores portugueses da minha idade. Ultrapassei todas as dificuldades, porque tinha uma grande ambição de ser jogador de futebol profissional e uma paixão infinita pelo futebol, o que me obrigou a crescer muito rapidamente. Nesta transição tive todo o apoio familiar e também dos responsáveis do SC Lourinhanense, no caso o Sr. Miguel Pinto, e sem esquecer o meu tio Francisco Canoa, que trabalhava no SC Lourinhanense e esteve sempre muito próximo de mim.

A sua ida para os "Leões" abriu a porta para que muitos outros miúdos do Sporting Clube Lourinhanense pudessem dar o salto para clubes grandes. Ou seja, deu visibilidade ao bom trabalho que é desenvolvido no futebol de formação na Lourinhã, não é verdade? - Sim, sem dúvida que nessa altura foi a forma de colocar o SC Lourinhanense no panorama do futebol Português. Com a minha ida para o Sporting CP, seguiu-se um protocolo entre os dois clubes, que abriu portas para a ida de vários jogadores para o Sporting CP (o Tiago é um exemplo) e originou-se também uma grande visibilidade para o SC Lourinhanense, que desde então passou a ser um clube muito respeitado no panorama do Futebol Nacional.

Texto: Duarte Nuno Gomes

Fotos: Direitos Reservados


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