PAULO MARTA: "TRABALHO NUNCA É RECONHECIDO"

À margem da distinção de Entidade Formadora Certificada 3 Estrelas por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Em entrevista, Paulo Marta, o atual Presidente do Sporting Clube Lourinhanense (SCL), há quase duas décadas (desde 2003), põe em causa continuidade. Em exclusivo à revista 'Amor à Camisola'.

Que significado tem para o SCL ser distinguido pela FPF como Entidade Formadora Certificada 3 Estrelas?

Esta é de facto uma etapa iniciada há cerca de três anos, que requer bastante esforço humano e financeiro, mas que penso ser necessário para a evolução da nossa formação e do próprio Clube. São requisitos necessários e enquanto uns ainda iniciam, nós já trilhamos o futuro há três anos, e com resultados satisfatórios.

O apoio da Autarquia, também, tem sido determinante para o SCL poder dar passos sólidos no futebol jovem?

Em relação à Autarquia, sempre fui claro que o apoio é determinante. Temos dinamizado o Clube da melhor forma possível com este apoio. Doutra forma seria impossível, mas tanto a nível de atletismo como de futebol, nestes últimos anos, mesmo com pandemia, demos passos importantes. Estamos a elevar o desporto no concelho. É extremamente importante para todos, nomeadamente para os jovens do Concelho e do Oeste.

Apesar da Lourinhã ser um Concelho com uma margem de recrutamento relativamente limitada e do SCL "viver" um pouco na sombra de Peniche e Torreense, que estão noutro patamar competitivo a nível da formação e que, também, devido à proximidade poderão ser mais atrativos para os jovens. Será possível a curto prazo termos escalões em quadros competitivos mais altos?

Estamos e sempre estivemos geograficamente entre Peniche e Torres Vedras, mas sempre fomos SCL. Conquistámos o nosso espaço, com muito valor, na zona Oeste. Hoje, podemos orgulhar-nos de não treinar com 7 atletas juniores, mas com vinte e tal sub-21. Atletas, esses, residentes nos três Concelhos [Lourinhã, Peniche e Torres Vedras] e mesmo com alguns de fora destes. Nos escalões abaixo, verifica-se de novo um crescente do número de praticantes, o que de facto é o resultado dum trabalho que está começado mas não acabado. Vamos continuar a trabalhar para evoluir, vemos um longo caminho a percorrer.



O SCL tem ambição de percorrer esse caminho?

Não há resultados sem trabalho, sem pessoas capazes e com formação específica, sem investimento, e neste momento os resultados já se notam claramente: os sub-21, nos 6 primeiros para fase de apuramento de campeão, com equipas fortíssimas como, Alverca, Belenenses, Estrela da Amadora, Casa Pia, nós próprios, etc; os juvenis, em quarto lugar, na luta pelos lugares cimeiros; os iniciados, que ocupam o terceiro lugar e lutam pela subida; os infantis, em segundo lugar, em igualdade pontual com o primeiro; e por fim, os Benjamins A, em primeiro lugar, são alguns exemplos do que já não estávamos habituados. Havia ciclos de boas fornadas, e agora há uma base trabalhada e regular. É de facto o que pretendemos para o SCL.


À beira de completar duas décadas à frente dos destinos do SCL. O progresso que tem vindo a ser feito na formação é mais um estímulo para continuar?

Continuar? Sinceramente não sei... A realidade é que todo este esforço, de pessoas que trabalham, num regime de voluntariado, em prol do Clube, infelizmente, nunca é reconhecido. Nem no tempo que eu jogava de camisola que cabiam lá dois, meias rotas e uma chuteira dum número e outra de outro e rotas, havia tanta exigência e insatisfação por parte de algumas pessoas que apenas falam, mas nunca ajudam. Seria bonito fazer 20 anos como Presidente, mas sinceramente acho que chegou a hora desses indivíduos se assumirem e mostrarem o seu amor e voluntariado pelo clube. Pois, infelizmente, desencorajam alguns jovens que me acompanham nesta Direção e que têm efectuado um bom trabalho, mas que se saturam de críticas e mais críticas. Ninguém agradece nada, toda a gente quer mais e melhor, mas esses em nada contribuem infelizmente.

Vamos ver o que vai acontecer...

Quem são "esses" a que se refere?

Nós que trabalhamos, diariamente, em voluntariado, sabemos quem eles são, e eles também sabem. Só não se assumem, pois gerir um clube não é apenas beber umas imperiais ao sábado ou domingo, "cortar" nos que trabalham e assistir ao jogo do filho no escalão x ou y. O SCL requer e é bem mais que isso.


Texto: Duarte Gomes Foto: Direitos reservados

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