O IMPRESSIONANTE PERCURSO ATÉ CHEGAR À ELITE NACIONAL



Numa pequena aldeia da freguesia da Ventosa, Torres Vedras, há uma equipa feminina de futsal que milita entre os grandes da modalidade a nível nacional. A formação da ACDR Arneiros existe há quase duas décadas e começou por iniciativa de um grupo de raparigas da terra, incentivadas por Adriana Santos.

A atual capitã da equipa, Diana Silveiro, há 16 anos a representar os Arneiros, recorda que no início, nos distritais, porque nem sequer existiam competições nacionais femininas, aquele grupo de jovens perdia por mais de 10 golos de diferença. Mas não desistiram.

“Na altura nem sonhava que esta equipa chegasse até aqui, era desfrutar o momento”, confessa. “Mas fizemos o nosso caminho, os treinadores também vieram trazer coisas novas e hoje estamos na elite e é lá que nos queremos manter”, frisou.

“O clube também foi percebendo a dimensão que estávamos a ter. Tivemos durante muitos anos um piso de cimento, a primeira vez que subimos ao nacional nem podíamos jogar em casa, tínhamos de jogar no pavilhão de S. Gonçalo”, lembra a capitã de equipa também conhecida por Di. E acrescenta que o clube foi ao longo dos anos tentando oferecer as melhores condições. “Claro que gostaríamos de ter outro tipo de apoios, mas não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão ao clube, à direção, ao presidente Luís Batista e à Marília, a diretora que nos acompanha mais. Estão sempre presentes e tentam ao máximo dar-nos tudo”, afirma a jogadora em jeito de agradecimento.

A equipa dos Arneiros subiu pela primeira vez à 1ª Divisão Nacional em 2014/2015. Mas a inexperiência levou a formação à descida e depois de duas épocas nos distritais regressa aos nacionais. Volta a descer mas regressa mais forte. Na época 2018/2019 vence a Taça Nacional e sobe pela terceira vez à 1ª Divisão Nacional, de onde não mais saiu. Em 2019/2020 chega às meias-finais da Taça de Portugal e na temporada passada alcança a melhor classificação de sempre, o sexto lugar.

Esta época o formato da 1ª Divisão é diferente, há um campeonato com 14 equipas, a duas voltas, e as quatro primeiras vão ao playoff lutar pelo título. Os Arneiros estão atualmente no quinto lugar, mas já estiveram em quarto.

O segredo do sucesso é a longevidade do plantel. Ao longo dos anos foram saindo e entrando elementos, mas há um núcleo que joga junto há 10 ou 11 anos. Evoluíram juntas e conhecem-se bem, dentro e fora da quadra. Di é das mais antigas, mas há outras, como Catarina Constantino, na equipa desde a sua criação.

“Eu costumo dizer uma palavra que define muito a nossa equipa, que é essência. São muitos anos a jogar juntas, muitas épocas, já nos conhecemos quase de olhos fechados. Isso facilita, dentro e fora das quatro linhas. Da época passada saíram cinco jogadoras e entraram outras, que facilmente se integraram, uma delas, Mariana Francisco, é a primeira da formação do clube a subir das juniores. Diana Silveiro sublinha que o caminho tem de ser esse, porque o clube não pode contratar muitas jogadoras: “somos um clube longe de ser profissional, todas nós temos o nosso trabalho, apesar disso treinamos três vezes por semana e temos deslocações difíceis, muitas vezes longe, como Chaves. Não é fácil e é quase amor à camisola”.

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