O ano em que conheci Stephen Roche


Sempre gostei de ciclismo. Em criança cheguei a colecionar umas fichas em forma de moeda, que vinham como brinde num detergente qualquer. Recordo que essa coleção “Ídolos do Ciclismo Mundial 1974” tinha nomes como Eddy Merckx e Joop Zoetemelk. Também lá estava Joaquim Agostinho, que eu acompanhava na televisão nos resumos diários da Volta à França.

Pela minha aldeia passava a Volta a Portugal e era uma festa. Especialmente para uma criança como eu, que corria atrás da caravana a tentar apanhar o maior número possível de pastilhas Gorila, Sugus e bonés “à ciclista” que os patrocinadores atiravam para a beira da estrada.

Mais tarde, em 1985, tive a oportunidade de ir passar umas férias a casa de uns familiares, em França, nos arredores de Paris. Um dia ao fim da tarde o vizinho da frente saiu de casa montado numa bicicleta. “Sabes quem é aquele? É o Stephen Roche”, informaram-me, perante o meu ar primeiro curioso e depois espantado.

Nos dias que se seguiram frequentei a casa do simpático vizinho, com quem tirei uma foto (nunca cheguei a vê-la, a máquina não era minha), recebi um poster e ainda um autógrafo no verso de um postal da Torre Eiffel que tinha comprado numa visita a Paris.

Stephen Roche preparava-se todos os dias naquelas ruas bem pavimentadas e de pouco trânsito do departamento rural de Val-d’Oise. Passados dois anos viria a vencer o Tour de France, o Giro de Itália e o campeonato do mundo de estrada. O irlandês já era um ciclista conhecido quando o conheci, mas depois ficou na história do ciclismo com a tripla conquista de 1987.

Lembro-me da sua garagem repleta de bicicletas. Quis vender-me uma, mas hesitei e nunca soube se estava a falar a sério. Nos seus treinos era sempre acompanhado de carro pela esposa Lydia, que várias vezes ouvi chamar pelo pequeno Nicolas, acabado de fazer um ano na altura. Era o primeiro filho do casal e veio a tornar-se também ciclista profissional, hoje já em fim de carreira.

Há uns tempos encontrei Stephen Roche no Facebook e enviei-lhe uma mensagem. Ele respondeu e disse que se lembrava de mim. Fingi que acreditei

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