Hóquei em Patins: Dérbi 15 anos depois


Sporting Torres e Física voltam a encontrar-se no Nacional da 2ª Divisão 15 anos depois do último encontro oficial entre os dois clubes, também a contar para esta competição. Na época 2005/2006, na jornada inaugural do campeonato, a Física de António Chambell deslocou-se ao antigo Horta Nova e não deixou dúvidas quanto ao diferencial de qualidade dos dois plantéis, vencendo o Sporting Torres de Luís Ferreira por 10-0. Na segunda volta o resultado foi bem mais equilibrado, com 5-2 para os da casa, num jogo que Garrancho jamais irá esquecer, contraindo uma lesão num lance fortuito com Marco Ferreira que o deixou de fora dos rinques pelo menos seis meses. Nessa época, a Física acaba por subir à Primeira Divisão e o Sporting Torres descer, numa temporada marcante para os verde e brancos, não só pela descida mas também pela extinção da equipa sénior, que só voltaria a existir na época 2012/2013. Desde então, o mais parecido a encontros oficiais só nas 3ª e 4ª edições da Taça Cruz Vermelha, disputadas em 2017 e 2018. Nestes 15 anos, pouco mudou na Física. Tirando a fase intermédia com Vítor Fortunato no comando (2009-2014), em que conseguiu afirmar-se ao nível nacional e internacional, com as melhores classificações de sempre ao nível da primeira divisão e as históricas participações na Final a quatro da Taça CERS 2011 e na final da Taça de Portugal 2010, a formação torriense tem andado oscilante entre a primeira e a segunda divisões. Atendendo que a época áurea estava apoiada a uma vertente financeira mais ambiciosa e consequentemente permitiu a aquisição de jogadores experientes em primeira divisão (Germán Dates, Alan Fernandes, Ricardo Pereira, entre outros), fez com que o nível se elevasse acima das possibilidades dos melhores jogadores torrienses que só aos poucos (Samuel Lima, Vicente Alves, Filipe Grileiro, entre outros) foram tendo minutos. No entanto, os bons resultados atraíam público ao pavilhão da Física. Considerando-se como um clube de formação quer pela qualidade dos atletas que tem nas camadas jovens, quer pelo poder financeiro que não tem comparando com os melhores clubes nacionais, ficará porventura claro que, mais do que ter muito ou pouco poder de investimento, a ideia deveria passar por conseguir manter um plantel nivelado de acordo com os melhores atletas do clube, colmatando espaços no plantel com aquisições de fora que permitam o nivelamento total (ou quase total, de forma a haver espaço para o crescimento dos atletas jovens), tendo como batuta a qualidade dos atletas formados no clube e não os resultados ou ambições. Adequar os resultados ao plantel e não o plantel aos resultados. Ou, se for para subir o nível, que seja para repetir ou aproximar aos resultados de 2009-2014.  O plantel da próxima época (até ao momento) aproxima-se desta ideia. Reforços (Mendes e Henrique Pereira) que se nivelam aos jogadores ditos 'da casa' (João e Samuel Lima, Bernardo Antunes e Fabinho), inclusive com subidas de três atletas sub23 (Vasco Miranda, André Jacinto e Bernardo Mestre). Vasco Martinho e João Rodrigo Campelo completam para já o plantel. Matéria para ser trabalhada de forma a que se possa adequar cada vez melhores resultados ao plantel. Já o Sporting Torres teve 15 anos mais atribulados, estabilizando na última fase. A mudança de pavilhão tirou seguimento a um projeto que já por si tinha pouca base, dando espaço a um clube mais organizado e com outro suporte. A equipa sénior, desde a inauguração do novo pavilhão em 2011, conta com duas fases (2012-2015 e 2016-presente), ambas muito apoiadas em jogadores formados na Física (principalmente na primeira versão 2012-2015) mas que na verdade tem mantido aquele que deverá ser o objetivo atual do clube: sendo também um clube de formação, ter continuidade na equipa sénior para começar a fazer a ligação formação-equipa principal, uma vez que na transição do velho para o novo pavilhão, a formação foi praticamente inexistente, resultando atualmente numa menor capacidade de fazer essa ligação devido ao hiato temporal criado nesses tempos menos ativos da modalidade no clube. De resto, desde 2016 que a política de construção não tem sido diferente, com as contratações a colmatarem espaços num nível de plantel implementado por um misto de jovens atletas (Tiago Salvador, Nuno Lopes, Rogério Silva, Marcelo Araújo, Diogo Miranda) e outros mais experientes (Jorge Santos, João Silva e Johe), todos formados em Torres Vedras. Para esta época, o técnico Rui Mateus ainda não conta com contratações (pelo menos oficializadas), tendo ainda à sua disposição Fred Pacheco, Flávio Santos e Nani Bastos que também transitam do ano anterior. Por curiosidade, aqui ficam os plantéis da época 2005/2006, onde foram jogados oficialmente os dois últimos dérbis da cidade de Torres Vedras: Física: Gordini e André Azevedo. Ricardo Areias, André Lima, Carlos Garrancho, Vicente Alves, Gonçalo Bernardino, Maurício Farinha, Filipe Grileiro e Emanuel Amâncio. Treinador: António Chambell Sporting Torres: Ruca e Diogo. Nélson Silva, Rodolfo Santos, Marco Santos, Marco Ferreira, Luís Santos, Luís Ferreira, Alexandre Ferreira, Xana, Nico, Edgar, Jorge Santos e Miguel Caldas. Treinador: Luís Ferreira


Texto: Pedro Miguel Caldas



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