GRANDE ENTREVISTA

RUI PESTANA: "TODAS AS MODALIDADES TERÃO DE SE ADAPTAR À NOVA REALIDADE"

Começou a gostar de basquetebol desde muito novo, pois os seus pais já tinham jogado em Moçambique e os seus irmãos mais velhos na Física e Sp. Torres. Depois de ir para o 5º ano, o interesse aumentou pois era das modalidades que mais jogava nas aulas de Ed. Física. Até que aos 13 anos um colega que achou que até tinha jeito para a coisa o desafiou a ir treinar à Física.

Jogou até aos 19 anos e teve oportunidade de ter a sua primeira experiência enquanto treinador, com 16, ajudando nos treinos de minibasquetebol.

E foi a partir dessa primeira experiência como monitor, que o basquetebol se tornou para ele muito mais do que um hobbie, mas sim uma paixão e um vício. Tirou o curso de nível 1 e desde aí, com alguns anos de interrupção, a sua carreira de treinador divide-se entre a Física e os “Lobos” da Malveira.

Os principais momentos da sua carreira estão ligados a qualificações para Fases Finais, Provas Nacionais e as vitórias épicas. Mas nesses momentos, o que ele considera mesmo especial, é olhar e sentir a explosão de alegria dos atletas.

Como qualquer treinador, tem a ambição de conquistar uma prova nacional, mas a sua maior ambição é poder continuar ligado à modalidade por muito tempo, como treinador ou dirigente.

Fora do basquetebol é uma pessoa tranquila, que gosta de estar entre família e amigos e de trabalhar com público.


Como tens estado a viver esta fase da pandemia?

- Agora menos mal. No inicio foi muito difícil, era angustiante andar na rua, ver tudo fechado e não ver quase ninguém. E o pior, o ar desconfiado com que as pessoas se olhavam. Situações que só víamos em filmes. Por isso, é importante que para além de todas as medidas de precaução, cuidemos da nossa saúde mental.


Do que mais sentes falta?

- Da proximidade, dos convívios com família e amigos e claro, do basquetebol; da pressão, do som da bola a bater ou a entrar no cesto, dos atletas, dos adeptos, enfim, de tudo o que envolve o treino, o jogo e o clube.

Falta-nos uma parte das nossas vidas, mas neste momento temos de nos agarrar ao que é mais importante, a saúde.

Estás preocupado com o Futuro?

- Penso que estamos todos. Ninguém sabe realmente como estará o mundo depois desta pandemia. Uma coisa é certa, vai mudar a forma como lidamos ou como realizamos certas tarefas do dia a dia. Nada voltará a ser como antes. Mas o futuro também está nas nossas mãos pois enquanto não houver cura, teremos de nos ajustar de forma a evitar a propagação do vírus.

Por outro lado com esta pandemia a maior parte de nós redescobriu o valor e a importância da solidariedade. Apercebemo-nos também do material que faz falta ao nosso SNS e da grande importância de algumas profissões.


Na tua opinião, quais as principais alterações que o coronavirus irá provocar no desporto em geral e no basquetebol em particular?

- As principais alterações começaram com adiamento, suspensão ou cancelamento de grandes eventos desportivos (J.Olimpicos, Euro 2020, Formula 1, etc).

A nível geral, todas as modalidades terão de se adaptar à nova realidade. Terão de se reinventar, criando condições para que não haja risco de contágio entre todos os intervenientes. E o basquetebol não foge à regra. A FIBA já elaborou um guia de orientação para o regresso aos treinos e à competição. Mas as condições “exigidas” só os grandes clubes poderão cumprir.


Que momento atravessa o basquetebol em Torres Vedras?

- Como todos os anos, tentamos aumentar o número de praticantes, o que não tem sido fácil dada a grande oferta que há no concelho no que a outras modalidades diz respeito. Mas tanto no sector feminino como no masculino, temos excelentes executantes. As nossas equipes seniores são constituídas por cerca de 90% de atletas formados no clube. No plano competitivo, a diferença para os melhores tem diminuído. Para além da dedicação de atletas e pais, também o apoio da direção tem sido fundamental na evolução da modalidade.


Estás ligado ao basquetebol torriense há mais de 30 anos... que momento ou momentos te marcaram mais pela positiva?

- Todas as conquistas da Física nas quais fazia parte da estrutura, e o convite de dois ex-atletas para em 2014 regressar ao clube.


Enquanto treinador, tens um percurso também ligado às camadas jovens, o que te dá maior satisfação no processo de formação dos atletas?

- Que os jovens atletas, com o tempo vão compreendendo que muito do que aprendem no desporto lhes ensina como agir em certas situações com que se deparam no dia a dia. Saber como lidar com a vitória/derrota, o sucesso/insucesso, a justiça/injustiça, a elogio/crítica etc.



Acreditas que já tenho o privilégio de vos conhecer e cultivar uma amizade há mais de uma década... e continuo sem saber quem é o Rui e quem é o Gil (irmão gémeo). "Aqui entre nós" conta-nos lá se alguma vez inverteram os "papéis" e fizeram-se passar um pelo outro num jogo de basquetebol?

- No primeiro treino do meu último ano de júnior, fraturei o pulso. Depois da cirurgia, o tempo de paragem estava estimado em cerca de dois meses e o campeonato começava um mês depois. O meu irmão tinha dois jogos de castigo para cumprir da época anterior e como a equipa precisava, ele fez esses dois primeiros jogos com o meu cartão J (risos).

Para terminar... e falando uma linguagem técnica de basquetebol: que conselho dás aos nossos leitores para "afundar" o coronavirus?

- Que na vida como no desporto, só com trabalho de equipe poderemos vencer esta pandemia. Há uma expressão atribuída ao campioníssimo da NBA Phill Jackson (11 vezes como treinador, e duas como jogador): “O ataque ganha jogos e a defesa ganha campeonatos”. No ataque temos os profissionais de saúde e cientistas e na defesa estamos nós que se cumprirmos com o que nos é pedido, vamos com certeza vencer.



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