Futebol – Ricardo Monsanto regressa ao Oeste cheio de esperança e ambição


SC LOURINHANENSE APOSTA NO REGRESSO DE RICARDO MONSANTO AO OESTE


Ricardo Monsanto treinou no Torreense entre 2006 e 2009. Conseguiu na altura duas súbidas de Divisão e o Torneio do Oeste. SC Lourinhanense recupera para o Oeste Ricardo Monsanto em 2021. Um dia foi chamado o pai dos Oeste Baby’s


Como surgiu a oportunidade de voltar ao Oeste e desta feita ao Lourinhanense?

- Pelas mãos do Presidente Paulo Marta e do Director Desportivo Paulo Moreira. Têm uma equipa bastante jovem em mãos, são excelentes pessoas, existe um conhecimento mutúo entre nós há mais de 12 anos e no momento em que o anterior Treinador saiu lembraram-se de mim e da minha excelente relação com jogadores mais jovens.


Que equipa vai encontrar?

- Uma equipa muito jovem onde inclusive o jogador mais velho tem 29 anos e onde temos muitos jovens entre os 19 e os 23 anos que querem mostrar que têm qualidade para o Campeonato de Portugal e até mais que isso.


O que pensa sobre o momento da equipa?

R: Em primeiro lugar gostava de dizer que a equipa estava muito bem orientada pela anterior equipa técnica, sou amigo do João, segundo sei saiu por decisão que também foi sua, mas apesar da classificação não espelhar o potencial da equipa, deixou uma equipa muito bem preparada e fez um óptimo trabalho nos últimos dois anos e meio que esteve ao comando da mesma. Depois penso que a equipa apesar de ter sentido dificuldades iniciais para se adaptar a um campeonato que nada tem haver com as competições distritais, tem potencial e tem jovens jogadores com grande ambição.

Qual é o projecto?

- Tenho 42 anos, uma história de vida que me ensinou algumas coisas, tenho muita experiência acumulada e algumas cicatrizes de guerra, para mim no futebol os projectos são o dia a dia, o projecto é retirar o mais rapidamente possível o Lourinhenese debaixo da linha de água e temos apenas três meses para fazer isso, para que no final da época possamos

dizer que concretizámos o nosso objectivo. O projecto é o próprio objectivo.


Teve os seus melhores momentos da carreira no Oeste?

- Tive dois anos e meio muito bons, quando foram interrompidos, depois o regresso já não foi igual. Olhando para trás acho que esse regresso não devia ter sido tão cedo, até porque num curto espaço de tempo tinha-se mexido muito na equipa, os jogadores já não eram os mesmos e o ambiente era totalmente diferente, talvez por isso esteja a regressar ao Oeste apenas 12 anos depois. Mas a verdade é que estive, por exemplo, três anos e meio na AFL como Coordenador Técnico, onde preparei dois Lopes da Silva como Seleccionador e foram dois anos sem sofrer um único golo, onde fomos Campeões Nacionais e lançámos muitos jogadores que mais tarde foram campeões da Europa de sub17 e sub19 por Portugal, depois foram lançados nos grandes do nosso futebol, hoje gosto de os puder ver não só em Portugal, também alguns já em clubes europeus, isso foi grande sucesso. Agora o que importa é o presente. Nesse sentido estou aqui porque gosto muito da zona, onde habitualmente até passo bastantes periodos de férias e porque acredito muito nas pessoas que estão à frente do SC Lourinhanense.


Em Julho de 2008 após duas subidas de Divisão foi apelidado de Treinador Promessa do Futebol Português?

- Foram outros tempos, tinha 30 anos e felizmente fui visto dessa forma, tenho orgulho do meu passado e acredito no meu potencial, para mim o que conta agora é o presente e o futuro, esse presente é o SC Lourinhanense que tem uma história que fala por si, por onde passaram grandes jogadores e bons treinadores e que eu tenho muito orgulho de vir agora a representar.


É um Treinador com o nível máximo, UEFA PRO, chamado de Nível Quatro que tantos treinadores almejam. Acha que isso vai fazer a diferença?

- O UEFA PRO por si só não faz a diferença, é uma excelente ferramenta para poder trabalhar, mas o que faz a diferença é o clube unir-se em prol de um bem comum, é existir uma grande união no grupo para ultrapassar os obstáculos, é entre todos, Direcção, Equipa Técnica, Posto Médico, Rouparia, Manutenção da relva, Jogadores caminharmos de mãos dadas como família que pode fazer a diferença a nosso favor.


Ultimamente também tem sido conhecido como um Treinador de Missões Impossíveis. Como lida com isso?

- Em primeiro lugar quero que se perceba que esta é uma Missão Possível, que está ao alcance das nossas capacidades, em relação a isso tenho algum orgulho de em certos momentos ter ajudado a salvar alguns

clubes da própria extinção ou ter ajudado outros a renascer. Mas a verdade é que este não é o caso, o clube está saudável, mostra competências e tem tudo para mostrar que estamos perante uma missão que é possível concretizar.

Costumo dizer que se fosse fácil não era para mim e por isso mais motivação nos dá saber que é difícil, mas não é impossível e que vamos conseguir ultrapassar.

Os projectos mais recentes foram o GRAP e a Selecção Nacional de são Tomé e Princípe, o que nos pode dizer sobre eles?

- Sobre o GRAP há pouco a dizer, tudo foi tratado pelo Presidente da Mesa da Assembleia, pessoa muito respeitada em Pousos e Leiria, porque havia intenção de não deixar morrer o futebol sénior quando seis dias depois é empossado um novo Presidente da Direcção. Mostrou desde início que eu não era o seu Treinador, que divergia em quase tudo com o que penso e com a minha maneira de estar no futebol há 23 anos, que pouco respeitou uma equipa construída numa semana de Setembro e acabei por fazer apenas quatro jogos, dois no campeonato e dois na Taça de Portugal, nesses quatro jogos ganhámos um e fomos eliminados da Taça por uma equipa da segunda liga portuguesa. Apenas um mês de trabalho, está tudo dito.

Sobre a Selecção Nacional de São Tomé e Princípe é tudo diferente, temos feito história para o país, claro que São Tomé já tinha feito as suas vitórias ou os seus golos, mas tudo em pré-qualificações. Nós conseguimos ultrapassar pela primeira vez na história as pré-qualificações e estamos dentro da qualificação para a CAN, claro que no sorteio fomos para o pote quatro, o que fez com que estejamos a apanhar grandes tubarões do Futebol Africano como o Gana, África do Sul ou Sudão, no entanto, temos feito exibições muito agradáveis, temos conquistado o respeito dos adversários, já fizémos golos na qualificação e fizémos as Selecções do Gana e África do Sul suar muito para nos ultrapassar. Para que se perceba e em termos comparativos a diferença desportiva é como a do Liechtenstein para Portugal ou Espanha por exemplo.


Gosta do trabalho em São Tomé e Princípe? Gosta de África?

- Adoro... Gosto do país, gosto das pessoas, gosto do clima, gosto da alegria contagiante, gosto do peixe, gosto da fruta, gosto de tudo. Gosto mesmo muito e ainda mais, gosto de sentir que as pessoas gostam mesmo muito de mim. África é um continente que depois de lá irmos algumas vezes se vai entranhando no nosso sangue.


É um Treinador que apesar de relativamente jovem já tem muita experiência. Em que países e campeonatos no estrangeiro?

- Arábia Saudita, Irlanda do Norte, República da Irlanda, São Tomé e Principe, desde o equivalente ao nosso Campeonato de Portugal até à Segunda Liga (First Division) da Irlanda e agora a qualificação para a CAN.


Aqui por Portugal também treinou em várias zonas do país como Lisboa, Setúbal, Santarém ou Leiria. Que projectos gostou mais?

R: Camadas jovens sem dúvida no Atlético, Real e Estoril. Séniores no CAC, Carregado, Barreirense, Fátima, Torreense, pois cada clube tem a sua própria história.


Que troféus ou situações mais o marcaram?

- Sempre as mais positivas. Vejo sempre a vida pelo lado bom, as duas subidas nas camadas jovens do Estoril, as duas subidas com os Juniores e Equipa B do Torreense, mesmo o Torneio do Oeste com o Torreense, a Super Taça de Lisboa com o Alverca ou os dois “Lopes da Silva” pela Associação Futebol de Lisboa, não é todos os dias que consegues ser Campeão Nacional e guardo essas medalhas religiosamente. Também o estágio para o UEFA PRO com o Pedro Emanuel no Estoril, jogar a primeira liga de futebol mesmo que como estagiário é fantástico.


Continua a ter o sonho de ser Seleccionador Português?

- Claro que sim... A esperança é que nos faz mover e já fui Seleccionador de Lisboa onde representámos um universo de três milhões de pessoas, trabalho com a Selecção de São Tomé e Princípe, tenho 42 anos, apesar de uma longa experiência de 23 anos de carreira ainda me considero um jovem treinador. Existem muitos treinadores que aos 42 anos estão a começar a carreira, por isso tudo mantenho sempre a chama do sonho acesa.


O que faria de si o homem mais feliz do futebol?

- A felicidade no futebol é o momento e neste momento o que faria de mim o homem mais feliz do futebol era conseguir a manutenção no Campeonato de Portugal com um clube com toda a tradição que tem o SC Lourinhanense, envolver a população nos nossos sucessos para quando acabarem os confinamentos e começarem os jogos de porta aberta ter a oportunidade de jogar com o Estádio cheio.


Uma coisa que ainda não fez e gostava de fazer?

- Visitar a Austrália ou a Nova Zelândia. Conheço 24 países de quatro Continentes diferentes, Europa, América, Ásia e África, por isso falta-me a Oceania, gostava muito de um dia poder visitar um desses dois países, quando o fizer vou tentar aproveitar e visitar também Timor-Leste.


O que pretende do SC Lourinhanense?

- Ficar na história deste clube, conseguir algo inédito que nunca ninguém tenha conseguido fazer aqui.


Quer deixar uma palavra aos adeptos do SC Lourinhanense?

- Acreditem em nós. Passem-nos essa força e energia positiva que esta zona Oeste tem, unam-se no nosso objectivo comum e todos juntos vamos conseguir o grande objectivo desta época. Acreditem que 2021 vai ser um grande ano e que vamos todos juntos comemorar no final.




Texto e Fotos: Duarte Nuno Gomes

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