FIQUE EM CASA COM... RUI JORGE CABAÇO

"TENHO UMA GRANDE FÉ NA CIÊNCIA"

De que forma é que esta pandemia te condicionou a nível social e familiar?

- Foi uma volta de 180º graus na vida de todos nós. Sinceramente nunca pensei passar por uma situação destas, sabia-se que a forma de como se trata mal o planeta teria de ter mais tarde ou mais cedo uma catástrofe, nunca pensei foi em vida assistir a um horror desta dimensão.


Como é que estás a encarar o momento difícil que todo o mundo está a atravessar?

- Naturalmente com muita preocupação, principalmente para os mais idosos, porque são eles o maior alvo deste vírus, e também pelas crianças já que o futuro caso não haja uma reflexão séria sobre esta matéria, não promete nada de bom. Paralelamente a esta preocupação, tenho uma grande fé na ciência, e nas suas capacidades em colocar ao serviço da humanidade, uma cura seja ela qual for para nos livrarmos deste verdadeiro pesadelo.


O que te preocupa mais neste momento?

- Preocupa-me o facto de haver cada vez mais pessoas sem emprego e consequentemente sem fonte de rendimento para honrar os seus compromissos, e mais grave que isso sem forma muita das vezes em conseguir ter forma de adquirir alimentação. Depois a incerteza no amanhã, ao certo ninguém consegue prever a evolução desta pandemia, e isso deixa-me inquieto.


Tens pensado no futuro? Como achas que vai ser a sociedade no pós-pandemia?

- Acho que nada será como antes. O lado "bom" de tudo isto tem sido a solidariedade que se vê pelo mundo fora e não fosse a loucura desmedida de alguns lideres mundiais, poderia se imaginar que o planeta passaria a ter seres humanos melhores. Ainda assim acredito, aliás tenho quase a certeza que nada será como antes.


Imagina que durante 24 horas eramos livres de fazer o que quisessemos. O que escolhias fazer?

- Essa é a resposta mais fácil de dar. Estaria essas 24 horas com o meu neto e filho. Sou avô faz 11 meses e destes quase dois foram afastado do ser que mais amo. Por isso a resposta, claro está é obvia.


Olhando para a tua vida profissional. Gráfico, jornalista de craveira com um percurso de largos anos nos principais jornais diários do país e relator de futebol que entusiasma multidões de ouvintes. Qual é das três, a tua maior paixão?

- Não consigo dizer qual será a minha maior paixão. Sou gráfico faz 42 anos na Editorial do Ministério da Educação, esta é a minha "verdadeira" profissão, e depois vem o resto que se prende com o jornalismo no qual entrei por necessidade. Quem me conhece sabe que em todos os projetos que entro visto a camisola do primeiro ao último dia com a mesma entrega defendendo sempre uma linha com a qual sempre me guiei, e que passa pelo rigor, pela isenção e pelo respeito que tenho por toda a gente. Posso dizer que sou o que sou sem nunca ter passado por cima de alguém.


Podes contar-nos como começou o "bichinho" dos relatos? Eram outros tempos... deves ter histórias muito giras para partilhar connosco...

- A entrada neste mundo foi primeiro como comentador. Foi em 1992 e eu era treinador dos juniores do Recreios Desportivos do Algueirão e fui convidado a fazer uns comentários para a Rádio Ocidente sobre o Campeonato da Europa desse ano. Dai passei a comentador em jogos da I liga, eram relatores o João Paulo Ribeiro (Rádio Renascença) e o Rui Camões que tinha um potencial enorme mas como muitos outros saltou fora cedo de mais. Certo dia num jogo do Estoril na Amoreira fui para fazer intervenções, tipo tempo e resultado com pequeno comentário. Era o jogo talvez menos importante dessa jornada onde estariam por certo a jogar Benfica e Sporting, certo é que já não me lembro ao certo a emissão conduzida pelo Nuno Azinheira passou o relato para a Amoreira... e pronto, a coisa parece que não correu mal e dura até aos dias de hoje. Diga-se 28 anos seguidos a fazer relatos sem qualquer época de interrupção.


Qual o relato que te deu mais gosto fazer até hoje?

- Foram muitos. Desde as finais da taça de Portugal a um Boavista Benfica no Bessa que valeu o titulo nacional a Trapattoni, passando pelos dois jogos que deram títulos nacionais ao Mafra, frente a Famalicão e Farense.

Já tive a honra e o prazer, como sabes, de estar ao teu lado em vários relatos teus... é uma sensação única! O que sentes quando estás a relatar?

Pois dizem que sim, ehehehhe. 

Ao certo não te sei dizer, até porque eu sou uma pessoa de poucas falas, mas quando o direto começa acho que algo muda em mim, não sei dizer o quê, nem porquê. Sabes que eu não gosto nada de visibilidade e mesmo hoje existem pessoas que me conhecem e que não acreditam que sou eu que estou a relatar.


Das muitas histórias da bola, dos muitos momentos que partilhei contigo em trabalho, desde os campos dos distritais ao mítico anfiteatro do futebol português, que é o Estádio do Jamor, em plena final da taça de Portugal... Tu "emprestas" a mesma emoção, a mesma entrega, o mesmo profissionalismo quer seja num jogo da distrital, quer seja no jogo mais mediático do país.

- Lá está. É a magia da rádio, a magia do direto, a necessidade do improviso, a obrigatoriedade de por palavras descreveres da forma mais rigorosa possível e por palavras que os ouvintes entendam, o que se está a passar do outro lado do rádio. E tudo isto faço-o seja a final das liga dos campeões ou a final da Taça da A.F Lisboa, garanto que a entrega da minha parte e a forma como preparo o trabalho é igual.


És um Homem que se dedica à família. Mas consegues ter tempo para executar ao mais alto nível, as tuas funções de gráfico, jornalista e relator. Sobra-te tempo para dormir!?

- Claro que sim, embora reconheça que principalmente nos finais de cada temporada o cansaço acumulado começa a deixar marcas. A idade já começa a pesar.

Já estamos todos cheios de saudades dos teus relatos... em jeito de conclusão que mensagem deixas aos leitores?

- Antes de mais, o importante é que tenhamos fé em ultrapassar esta maldita pandemia. Os que me seguem através da escrita, agora em tempo de interregno forçado, cá estou quase diariamente no jornal Record com a atualidade do Clube Desportivo de Mafra. Quanto a relatos, sinceramente não sei. A cada final de temporada tenho como certo para mim pendurar as botas, mas não sei. O futuro e Deus pertence.


Abraço e sejam felizes.

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