FIQUE EM CASA COM... PAULO EMÍDIO

"A SOLIDARIEDADE IRÁ SER A SOLUÇÃO"

Como tem sido o teu dia à dia desde que o Estado português decretou o estado de emergência? - Tenho tentado dentro do possível manter as rotinas, uma vez que a empresa trabalha com bens essenciais, temos mantido o horário de trabalho normal. As grandes alterações são as relacionadas com o convívio familiar, principalmente os pais, por serem idosos, vemo-nos apenas à distância. A dinâmica de amizades e atividades como a rádio por exemplo também foi afetada.

De que forma encaras esta pandemia? - Com a natural preocupação de poder vir a ser portador e portanto transmissor. O que provoca variadas mudanças comportamentais, e com isso a necessária adaptação a esta nova realidade! Mas acima de tudo encaro com muita preocupação! Que perspetiva tens do futuro em termos socioeconómicos? Tenho uma perspetiva muito pessimista em relação a vários setores que englobam pequenas e microempresas. Penso que a recuperação económica vai ser bastante lenta, o desemprego vai manter-se em níveis demasiado elevados e com isso as classes mais vulneráveis, vão sofrer bastante durante largo tempo ainda. A solidariedade irá, de várias formas, ser a solução para se ultrapassar este fenómeno! Se pudesses sair livremente de casa durante 24 horas, o que ias fazer? Ia ao campo ver e ouvir a Natureza que estava tão escondida até à chegada da pandemia, ia ver o Mar, respirar fundo o ar mais limpo e descontaminado de que tenho tantas saudades! Como é que a RCM se está a adaptar à nova realidade? - Está a adaptar-se de forma a ser um exemplo no cumprimento das indicações dadas pela DGS e Câmara Municipal por exemplo, mas está a ser muito difícil na perspetiva económica e financeira principalmente! Quais as principais mudanças que ocorreram na estação emissora desde que foi decretado o estado de emergência? - Ao nível técnico adaptámos o centro emissor a uma possível necessidade de comunicações mais alargadas, em caso de colapso das comunicações existentes para uso institucional, nomeadamente a Protecção Civil. Ao nível da programação suspendemos os programas de animação ao fim de semana, bem como os programas de informação desportiva. O departamento comercial continua a tentar fazer pela vida, mas não está fácil! As entrevistas nos programas de informação deixaram de ser presenciais para serem via telefone.

Qual o ambiente que se vive em Mafra perante esta pandemia? - Tem-se vivido de forma muito tranquila e ordeira, sem menosprezar o sofrimento de quem está fechado em casa, posso dizer que tem sido até bastante agradável, embora mais triste, pois claro! Olhando para a tua paixão por Mafra e pela RCM... o que te tem dado mais prazer fazer em prol da RCM e do concelho de Mafra? - O prazer da comunicação, o prazer em colaborar para que no meu concelho a rádio local seja uma realidade, o prazer em colocar ao dispor da nossa gente algo tão importante e útil! O prazer imenso de fazer parte da evolução que se tem registado, culturalmente, desportivamente e socialmente no nosso concelho! Além da Rádio, a nível profissional o que te tem feito sentir realizado? - A realização pessoal é algo que jamais irei alcançar, uma vez que não vivo com esse propósito! No entanto, a colaboração de quase 40 anos com  a empresa onde trabalho, que por sua vez comemorou em março deste ano  43 anos de existência, faz-me sentir algo desse género. No entanto, é  para mim sempre mais importante a colaboração com a realização dos que  me rodeiam do que propriamente a minha! Ou então se preferires, seja  essa a minha forma de me realizar, ver e colaborar com o crescimento e  o sucesso à minha volta! És um Ser Humano maravilhoso... não era preciso uma calamidade destas para olhares com mais sensibilidade e amizade para o próximo. Mas, achas que no geral vamos ser melhores pessoas? A sociedade vai pensar mais no outro daqui para a frente? - Grato pela tua opinião a meu respeito, existe aqui reciprocidade também! Penso que sim, vai haver tendência para melhorar a todos os níveis, individual e coletivamente, mas apenas enquanto houver memória! Mas não me parece que seja muito duradouro recordarmos esta pandemia, para mal de todos, nomeadamente do planeta!

Que palavra deixas aos nossos leitores?

- Deixo uma palavra de gratidão pela colaboração com o Duarte Nuno e o Amor à Camisola. Uma palavra de incentivo a não se deixarem iludir com a facilidade e quantidade de (des)informação que vos chega, pensem sempre pela vossa cabeça com o vosso coração disponível para aceitar e compreender o que vos rodeia, e por fim um pedido encarecido para não deixarem morrer os Orgãos de Comunicação Social Locais, leiam-nos, ouçam-nos, patrocinem-nos! Façam parte das forças vivas da nossa comunidade, a fim de que elas sejam cada vez mais próximas e eficazes na divulgação e promoção da nossa terra e da nossa gente.



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