FIQUE EM CASA COM... PAULINHO

"NÃO BAIXEM A GUARDA, NÃO PENSEM QUE A PANDEMIA JÁ PASSOU"


Como é que está a ser o seu dia à dia?

- O futebol está parado mas contínuo com o meu trabalho na Frismag das 06h às 14h. Já fizemos a nossa quarentena e regressámos no dia 31 de Março com o regime de turnos para não aglomerar tanta gente, uma vez que a fábrica tem muitos funcionários mas com as devidas precauções luvas, máscara, viseira e um frasco de álcool para cada um. Depois do trabalho almoço e ou vejo uma série na Tv ou durmo a sesta conforme o que o corpo pedir. Antes do jantar ainda tenho tempo para fazer um bocadinho de exercício para não parar totalmente. De que forma olha para a calamidade que estamos a atravessar? - Nós nunca estamos preparados para uma situação destas em que deixamos de fazer o nosso dia à dia normal e aquilo que mais gostamos de fazer mas temos de encarar o futuro de maneira diferente, temos de nos adaptar às circunstâncias. Imaginar o futuro... deixa-o apreensivo? - Sim, um pouco. Preocupa-me o facto de muita gente estar a perder os seus empregos mas isto vai ser novo para toda a gente. Temos de ser otimistas e encarar o futuro com esperança de que algo bom possa surgir. Se lhe dissessem atualmente... tem 24 horas para poder sair de casa à vontade e fazer o que quiser. O que fazia? - Se desse para a praia, ia para a praia... mas como o tempo não está bom, um jantar com o meu grupo de amigos já me satisfazia. Olhando à sua carreira no futebol, como explica que os melhores anos estejam a surgir depois dos 30? - Acho que se deve a ter encontrado grupos muito fortes nestes últimos seis, sete anos. No Lourinhanhense encontrei uma equipa que já conhecia quase toda do Torreense inclusive equipa técnica e quando se tem qualidade humana faz-se bons grupos e daí os resultados aparecem.  Já, no Caldas encontrei uma família. Um clube muito organizado, cumpridor e com pessoas sérias. Tinha uma base e essa base tem se mantido ano após ano. Felizmente fui muito bem recebido, logo no segundo ano entrei no lote de capitães e isso passa logo uma confiança muito grande. Sinto-me bem, gosto do clube, os adeptos também me apoiam e assim fica mais fácil. As coisas têm corrido bem, é um clube que dá tempo para quem lá passa mostrar o seu trabalho. Voltando a uma "página mais difícil de virar" da sua carreira... Ainda tem alguma mágoa da forma como saiu do Torreense (clube onde foi formado e era capitão)? - Não sei se a palavra mágoa é a mais correta mas custa sempre sair de um clube em que entras aos oito anos, tens o sonho de jogar nos seniores... inclusive chego a capitão e depois saio aos 27 anos numa altura em que acho que podia ainda ajudar o clube mas é passado e continuo a gostar do clube. A época no Lourinhanense no Campeonato Nacional de Seniores (CNS)... foi o renascer do "Paulinho"? - Eu não diria essa época, mas sim as três que fiz no Lourinhanense porque vinha de uma descida de divisão, onde só tinha feito nove jogos devido a algumas lesões que tive nessa temporada e estava com muita falta de confiança. Não estava bem fisicamente mas apanhei o [Mister] Luis Brás que me conhecia bem e que teve a paciência necessária nestes casos para que eu voltasse ao normal. Fomos campeões dois anos seguidos, devolvemos o Lourinhanense ao CNS mas infelizmente não conseguimos a manutenção no ano seguinte, como merecíamos. Aqui, sim, tenho uma mágoa de ter descido o Lourinhanense.  Como é que depois de uma primeira fase de elevado nível... a equipa "se deixou" ser despromovida aos Distritais? - De facto fizemos uma primeira fase muito boa. Das equipas do Oeste, só o Mafra ficou à nossa frente mas como este campeonato era e é cheio de particularidades, uma segunda fase em que perdemos metade dos pontos junto com algumas lesões de jogadores importantes que não estavam a jogar a 100% e quatro treinadores levou-nos para o playoff onde perdemos justamente.  O Paulinho rumou a Caldas e tem vivido as melhores épocas da sua carreira... - Como disse, o Caldas é um clube de gente séria, humilde e trabalhadora. O que o torna especial. De facto encontrei um grande ambiente familiar, o que já nos levou nestes seis anos a uma fase de subida do Campeonato de Portugal e a cinco épocas sempre na parte de cima  da tabela e claro aquela memorável época 17/18 com o Jamor muito perto. Ou seja, a estabilidade leva a que as coisas corram bem ao clube e se correm bem ao clube é mais fácil correr bem a mim. O que sentiu quando começou o prolongamento frente ao Aves (nas meias-finais da Taça de Portugal)? - Senti que estava a jogar os trinta minutos mais importantes da minha vida... que estava a jogar para um país inteiro e que esse país estava quase todo connosco... que era possível ir ao Jamor, são momentos que vão ficar para a vida. Uma palavra aos leitores... - Que não baixem a guarda, que não pensem que a pandemia já passou. Fiquem em casa mais uns tempos, sair só mesmo se necessário. E acreditar no futuro.

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