FIQUE EM CASA COM... JOSÉ VALA

"ESPERO QUE TODOS TENHAMOS A CAPACIDADE DE 'APROVEITAR' PARA MUDAR"




Como está a ser o seu dia à dia atualmente?

- De 2ª a 6ª feira continuo a trabalhar, de manhã de forma presencial e à tarde em teletrabalho.

Para quem saía de casa às 8h30 e, nos dias de treino, chegava a casa por volta das 21h00, quase que passo mais tempo em casa num dia do que passava numa semana.

Mais tempo para interagir com os meus filhos e para desenvolver os meus “dotes” culinários. De que forma esta a encarar esta pandemia? - O que estamos a viver é algo que nunca imaginei, nem mesmo no momento que interrompemos os treinos, tinha a noção da realidade. Com o passar dos dias, a evolução da situação no nosso País, na Europa e no Mundo em geral, fui tendo uma maior consciencialização do problema e neste momento encaro tudo com a normalidade possível, respeitando ao máximo as diretrizes da DGS, procurando dar o meu contributo para o sucesso de todos no combate à pandemia. Está preocupado com o futuro da sociedade em geral? - Bastante, principalmente com os problemas económicos que a sociedade vai enfrentar. Como sou um otimista, também gosto de realçar os aspeto positivos. Temos, no rescaldo desta “Guerra”, uma grande oportunidade de tornar a nossa sociedade mais humanista, mais preocupada com os valores, mais solidária, menos centrada nas coisas    fúteis e desnecessárias. Espero que todos tenhamos a capacidade de “aproveitar” para mudar e, pelo menos nesse aspeto, não voltarmos ao normal. Há valores que se sobrepõem ao desporto, naturalmente. Concorda com as medidas tomadas pela Federação Portuguesa de Futebol relativamente ao Campeonato de Portugal desta temporada? - Acho que o cancelamento do campeonato era a única solução possível, tenho mesmo muita dificuldade em entender a opinião daqueles que dizem que deveria ser encontrada uma forma para o campeonato terminar. Qualquer outra decisão, para além de todos os riscos, também teria consequências no início da próxima época. Em seu entender, como se deveria apurar as duas equipas que subirão de divisão? - É uma questão para a qual não tenho resposta concreta. Na possibilidade, que não acredito que possa acontecer, de existir um play off, equipas como o Praiense, Vizela, Arouca e na série D, Olhanense, Real e Alverca, têm legitimidade para estar presentes. As três primeiras porque tiveram uma hegemonia nas suas sérias e as três da série D, porque foram equipas que partilharam a liderança ou estiveram sempre muito perto dela.  Qualquer decisão vai ser controversa e estará sempre dependente do que for decidido na II liga. Mesmo que não se tivesse registado esta situação atípica, que opinião tem sobre os quadros competitivos do futebol não profissional em Portugal? - O formato do campeonato é completamente injusto, não premeia a regularidade e as equipas que se superiorizam ao longo das 34 jornadas. Não podendo subir diretamente os quatro primeiros classificados, achava muito mais justo que a fase de subida fosse disputada apenas entre os quatro primeiros, assim, existiria a certeza que subiria uma das equipas que foi mais regular. Esta época, foi muito difícil aos adversários vencer o Caldas. Qual foi o segredo para o bom campeonato que fizeram? - O Caldas tem por princípio jogar o “jogo pelo jogo” independentemente do adversário. Esta forma de estar, faz com que o futebol que praticamos seja reconhecidamente de alguma qualidade, mas também nos tem retirado a possibilidade de conquistar alguns pontos. Esta época, um dos objetivos da equipa técnica, que procurámos passar para a mentalidade dos jogadores e introduzir no processo de treino, foi a necessidade de maior qualidade/rigor no processo defensivo e maior pragmatismo no nosso processo ofensivo. Não foi conseguido na totalidade, mas existiram melhorias, traduzidas no igualar de um record do clube, de 15 jogos sem perder. A quantidade de empates, não traduziu a nossa forma de estar no jogo. Quem nos viu jogar, nunca viu uma equipa confinada ao seu meio campo defensivo ou conformada com o empate.

Vai continuar no Caldas para a próxima temporada? Já começou a planear o futuro em termos desportivos? - Neste momento estou a colaborar com a direção na construção do plantel para a próxima época, apenas não formalizei a continuidade por questões pessoais que nada têm a ver com o Futebol. O período que vivemos, também nos permite uma maior reflexão sobre o que tem sido a nossa vida até à data, temos mais tempo para pensar no que temos feito e, principalmente, no que deixamos de fazer.  Faz hoje dois anos, o seu Caldas escreveu uma das páginas mais bonitas... diria mesmo a mais bonita duma equipa amadora em Portugal. Quando às vezes lhe vem à memória aquele feito inolvidável, o que sente?  - Engraçado, já hoje me colocaram essa questão exatamente da mesma forma: "Quando às vezes lhe vem à memória aquele feito inolvidável, o que sente?" E vou responder exatamente da mesma forma. Ainda hoje, quer seja a falar, quer seja a escrever, fico com um “nó na garganta”, tenho muita dificuldade em conter as lágrimas. Nos momentos mais difíceis (numa derrota por exemplo), ou por iniciativa própria, ou pela insistência da minha filha que não gosta de me ver em baixo, costumo recordar, através de vídeo ou imagem, alguns episódios dessa bonita e inesquecível história que escrevemos. Que mensagem deixa aos nossos leitores? - Fiquem em casa, cumpram as diretrizes da DGS e tenham esperança no futuro. Vamos passar por momentos difíceis, mas vamos ter capacidade para sair deles. Ao contrário da recente crise económica, desta vez não são só os países do sul da Europa que estão envolvidos, são todos… vamos acreditar que vão existir medidas iguais para todos, quer ao nível das restrições, quer ao nível dos incentivos. Muita força...



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