FÁBIO SANTOS: "INVOCAM RAZÕES FINANCEIRAS PARA A MINHA SAÍDA DO TORREENSE, MAS NÃO É VERDADE"


O defesa central numa grande entrevista exclusiva à revista Amor à Camisola fez o balanço da última temporada, falando ainda dos motivos que levaram à sua saída do Manuel Marques e do sonho de chegar à segunda liga, entre muitas outras coisas.


Terminado o contrato com o Amora, já tem o seu futuro definido?

- Não, neste momento o meu futuro ainda não está definido.

A temporada 19/20 foi uma época atípica no geral e para si pessoalmente, que começou como um dos capitães do Marinhense e terminou na Medideira. Que balanço faz da última temporada?  - Foi sem dúvida uma época muito desgastante e difícil mas que ainda assim teve teve um momento muito bom, a chegada aos oitavos de final da taça de Portugal contra o Rio Ave.

Teve oportunidade neste último ano desportivo de jogar em duas das quatro séries do Campeonato de Portugal? Quais as principais diferenças entre as séries C e D, na sua opinião? - É difícil responder a essa pergunta porque no Amora fiz apenas 5 jogos até a temporada ser interrompida, não joguei contra a maior parte das equipas e assim sendo não consigo ter uma opinião muito fiel relativamente à serie D para conseguir comparar com a série C. Já esteve em vários projetos de lutar por subidas às ligas profissionais, recordo-me por exemplo de Fátima, Benfica e Castelo Branco, e Torreense. Que comentário faz ao critério estabelecido pela FPF para atribuir as subidas de Vizela e Arouca em detrimento de Praiense e Olhanense, os outros líderes das quatro séries do Campeonato de Portugal? - O Campeonato de Portugal por si só não é de todo justo e esta decisão também não o é mas creio que seria difícil tomar uma decisão quanto às subidas que fosse justa. O justo, na minha opinião, seria concluir o campeonato quando fosse possível. Tem sido uma referência no eixo defensivo dos clubes por onde tem passado. Um defesa central vive também muito da experiência acumulada. Aos 30 anos, ainda alimenta o sonho de chegar a uma liga profissional? - Sinceramente não penso muito nisso porque sei que a probabilidade de acontecer é bastante reduzida. Sente alguma frustação ou algum sentimento de injustiça de isso ainda não ter acontecido? - Sim, sinto que houve épocas em que estive a um nível bastante bom e provavelmente merecia ter tido uma oportunidade numa liga profissional.  Fala-se que o Campeonato de Portugal é uma competição amadora. Há uma década que joga nesta divisão, tempo no qual sempre foi profissional de futebol, certo? - Sempre que joguei no Campeonato de Portugal fui 'profissional' sim. Consegue ter estabilidade vivendo exclusivamente do futebol? - Sinceramente consigo mas também abdico de algumas coisas. E infelizmente há clubes por onde passei que ainda me devem dinheiro... Enquanto jogador afirmou-se por todos os clubes onde passou: Lourinhanense, Torreense, Fátima, Benfica e Castelo Branco, Marinhense e Amora. Qual o marcou mais? Devido a que motivos? - Todos me marcaram, uns por bons motivos outros nem tanto. Gostei muito de jogar em Castelo Branco mas o clube ao qual tenho mais ligação e onde fui mais feliz foi no Torreense.

Após várias épocas a capitanear o Torreense. O "Verão Quente" do Manuel Marques, há uma ano atrás, levou à sua saída. Era na altura o grande símbolo do clube a atuar naquela equipa, foi difícil tomar a decisão? - Foi provavelmente a decisão mais difícil da minha carreira mas a incerteza relativamente à continuidade do clube no Campeonato de Portugal e a falta de comunicação por parte dos dirigentes quanto ao que iria acontecer levaram à minha saída. Sei que invocam outras razões, principalmente financeiras, mas não é verdade.

Passados apenas apenas três meses defrontou o Torreense em partida do Campeonato de Portugal defendendo as cores do Marinhense. É unânime que é um profissional exemplar, mas qual foi a sensação de jogar contra o clube da sua cidade (moras em Torres Vedras), onde tem muitos fãs e até há bem pouco era a referência do mesmo? - Foi estranho porque sair do clube nunca foi a minha intenção. Os torrienses que se cruzaram e cruzam consigo na rua depois da sua saída que palavras lhe transmitem? Continua a sentir o carinho deles? - Os adeptos do Torreense sempre que se cruzam comigo na cidade transmitem-me palavras muito boas enquanto jogador mas não só, enquanto Homem também, e isso é muito gratificante.

Gostaria de um dia voltar a usar a braçadeira de capitão do Torreense? - Toda a gente sabe o carinho que sinto pelo clube mas ter a oportunidade de voltar a usar a braçadeira do Torreense não depende de mim.







Qual o momento mais feliz que teve no futebol até ao momento? - A vitória frente ao Nacional da Madeira para a taça de Portugal no Manuel Marques.

E o sonho que ainda espera concretizar? - Tenho o sonho de subir à segunda liga. A carreira de um profissional de futebol passa num instante. O que pensa fazer em termos profissionais quando pendurar as chuteiras? - A semana passada acabei uma formação e o futuro no imediato até ao inicio do campeonato passa por aí. Quando deixar de jogar não sei por onde passará o futuro, talvez continue ligado ao futebol.


Texto: Duarte Nuno Gomes

Fotos: Direitos Reservados



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