Entrevista a Pedro Canoa

«Lourinhanense tem potencial para se projetar a nível nacional»



Aos 43 anos, Pedro Canoa começa agora o terceiro projeto como diretor desportivo. Formado no Lourinhanense, abriu as portas ao protocolo com o Sporting, clube que representou durante cinco épocas. Terminou a carreira em 2012 no Torreense, o outro clube do coração, e aí começou a carreira de diretor desportivo. Passou depois pelo Amora, fez uma pausa, onde experimentou o papel de comentador desportivo na Sporting TV, e regressa agora ao ativo, no Cova da Piedade. Um dos símbolos do Lourinhanense como clube satélite do Sporting, num ano em que se comemora essa marca redonda dos 25 anos, Canoa abre o livro à ‘Amor à Camisola’.


- Mais um jogador profissional que se torna diretor desportivo. Como tudo isso aconteceu?

- Aconteceu quando estava no Torreense. Tinha 35 anos, já tinha ajudado a administração da SAD da altura a fazer alguns negócios, por conhecimentos que tinha e alguns jogadores com que tinha jogado como o Fernando Meira, agora empresário, ou o Patacas, que era diretor desportivo do Nacional. Eu era capitão do Torreense, ia ajudando no que podia e uma vez o presidente [n.d.e. Joaquim Carlos] passou por mim e em jeito de brincadeira disse-me que um dia eu ainda ia ser diretor ou administrador da SAD porque já o tinha ajudado, conhecia muita gente mas que isso só iria acontecer quando eu quisesse deixar de jogar. Estávamos, nessa altura, no início da temporada. Em novembro as coisas não estavam bem e depois de um jogo contra o Mafra, em que perdemos 0-1, na terça-feira seguinte o presidente chegou ao pé de mim e disse-me: «A partir de hoje és o meu diretor desportivo.» Eu fiquei a olhar para ele, não era algo que estivesse à espera naquela altura. Ponderei, pensei e agora, olhando para trás, foi a melhor coisa que podia ter feito. Já tinha 35 anos mas a verdade é que o início foi muito complicado: não pensar enquanto jogador foi muito difícil. Aparecer nos treinos, sentir o cheiro da relva… e fui ser diretor dos meus colegas! Um dia era capitão, no outro era o diretor. Criou-se ali um ambiente, com alguns jogadores… numa fase inicial não foi tão bom. Hierarquicamente até estava acima do treinador, o mesmo que me tinha treinado. Foi uma aprendizagem, obviamente, mas não escondo que foi a decisão mais difícil que tomei até hoje enquanto profissional de futebol. A mais difícil e, também, a mais acertada.


- Olhando para trás, teria feito a mesma escolha, portanto…

- Falar agora é mais fácil mas sim, claramente que sim. E agradeço a oportunidade que o presidente da altura, o Joaquim Carlos, me deu, agradeço ter-se lembrado de mim. Foi a melhor forma de deixar de jogar mas continuar no futebol. A verdade é que não sabia se ia ser útil como diretor. E se não fosse, não ia continuar. Mas senti o que ajudei, ao presidente e ao Torreense, e continuei. O presidente depois saiu, a SAD foi vendida a uma empresa chinesa mas eu senti que ajudava, que era uma peça importante no clube, pelo meu know-how, pela aprendizagem que tive enquanto jogador. Consegui transportar isso para o dia a dia de um clube de futebol.


- Porque se deu, então, a saída do Torreense?

- Estive três anos com o presidente Joaquim Carlos e depois mais quatro anos com a administração chinesa. Saí, depois, com a nova venda. Entraram as pessoas que lá estão atualmente e foram eles que optaram por mudar tudo, não quiseram ficar com ninguém da estrutura que estava montada. Acabei por ir para o Amora. Era o Russiano o treinador. Depois fui buscar o Tuck e, numa fase mais negativa, acabei por escolher o Rui Narciso. A SAD entretanto foi também vendida e eu saí.


- Depois de uma fase de interregno, também motivada pela pandemia, surge agora o Cova da Piedade. Como apareceu este convite?

- Surgiu através do próprio presidente da SAD, o sr. Long. Aceitei este desafio porque estamos a falar de um clube histórico, que esteve na Liga 2. Vem de um patamar profissional e vai competir, agora, num campeonato novo, extremamente competitivo. E aceitei porque sou um homem de desafios. Saí de casa dos meus pais com 13 anos, nunca ninguém me deu nada. Sempre tive de procurar e assim continuarei a fazer.


- Quais os objetivos para esta época? Um regresso à Liga 2?

- Os objetivos são fazer uma equipa competitiva para estarmos ao nível da história do Cova da Piedade. E, claro, honrar todos os adeptos e simpatizantes do clube.


- Com 35 anos já olhava para o cargo de diretor desportivo como próximo passo? Ou pensou no rumo de treinador?

- Antes dos 35 anos, quando tinha os meus 28, 29, 30, pensava em ser treinador, é verdade. Olhava para a possibilidade de ficar numa equipa técnica, começar como adjunto… Depois, com o Joaquim Carlos a explicar-me que eu enquadrava-me bem na administração, também pelo meu perfil de capitão, comecei a perceber que podia ocupar essas funções. Quando te sentes útil as coisas são sempre mais fáceis. Sentes que ajudas o clube a crescer nas várias áreas. Como também passei, como miúdo, por todos os processos de formação, sei que também posso ajudar muito nesse capítulo. É sempre um dos meus objetivos quando projeto uma época desportiva: incluir a projeção de jovens jogadores da formação. O valor mais claro, a grande valia dos clubes, é a sua formação. Muita gente não fala nisto. Quando projetas uma época, tens de incluir isso no teu plantel sénior, tens de escolher o perfil do treinador a pensar em tudo isso. Depois, claro, depende do clube, da região, da identidade. O treinador dos seniores também é um treinador de formação, porque vai apanhar jogadores com 17 ou 18 anos, ainda no processo final de formação. Se ele não tiver esse perfil, nunca poderás transformar esses ativos em negócios. Não podes só viver à espera do dinheiro do patrocinador e dos bilhetes, tens de tomar medidas para que o financiamento surja também da valorização dos ativos do plantel. Felizmente tenho tido presidentes que me dão essa liberdade de potenciar os jogadores jovens. No Torreense, por exemplo, houve o Dénis, que foi para o V. Guimarães do Rui Vitória. O Eustáquio foi recrutado por mim também, o Tiago Esgaio, agora do SC Braga, o Marçal, que foi para o Nacional e depois para o Benfica… foram vários os jogadores que saíram do Torreense para a Liga com a minha ajuda. Tens é de estar num clube com essa perspetiva. O futebol atual não é o dos anos 80. Há uma grande vertente negocial e logo desde muito cedo. A partir dos iniciados tens de começar a olhar para os jogadores e perceber o potencial que existe para, quando tiverem 16 ou 17 anos, lançá-los no futebol sénior. Há muitos jogadores que se perdem porque não há essa visão dos clubes. Os jogadores, hoje em dia, têm esse talento natural. Tens é de ter alguém que consiga perceber isso e projetá-los a outro nível. Isso, felizmente, aconteceu comigo no Lourinhanense. Passado um ou dois meses de chegar fui logo à seleção. Porquê? Porque tive alguém que viu isso. E, na altura, não havia muita observação, eram os próprios treinadores dos clubes que indicavam os jogadores. Eu tive essa sorte. Tem de haver essa preocupação, esse pensamento tem de estar vincado no dia a dia de um clube. Alguém preocupado em detetar esses talentos dentro do clube. Já nem digo fora, porque isso acarreta algum investimento, mas pelo menos dentro do clube, na sua formação. Tive sete meses no Amora e foi suficiente para meter o Caeiro no Belenenses. Está sempre nos meus planos potenciar jogadores da formação.

- Foi mais fácil ajudar o Torreense dentro do campo ou fora dele?

- É mais fácil dentro do campo. Fora dele sofres mais. Tive de me concentrar apenas naquilo que dependia de mim. A tua equipa, os teus jogadores, o perfil deles, o perfil do teu treinador. Tu podes controlar tudo isso. Não controlas é depois as atitudes, mas podes controlar o perfil. Foi nisso que me foquei, encontrar pessoas com o perfil adequado à identidade e à história do Torreense.


- E foi mais fácil ser diretor no Torreense ou no Amora?

- São clubes diferentes. No Torreense, tirando o primeiro ano em que interrompi a carreira a meio da época, todos os outros plantéis passaram sempre por mim. Quando passa por ti, quando tomas tu as decisões, é mais fácil qualquer decisão mal tomada ser remediada por ti. O treinador, os jogadores, há ali um cunho pessoal, estão vinculados a ti. No Amora foi tudo diferente. Cheguei a 23 de agosto, as coisas já estavam projetadas, o plantel feito, o treinador escolhido. Mas eu joguei no Amora, como joguei no Torreense. Conhecia um pouco do clube, do seu perfil. Mas foi mais difícil, as coisas não foram bem preparadas. Havia qualidade individual mas a nível de perfil mental… eles não estavam preparados para a exigência do Amora, um clube histórico, com grande pressão dos adeptos. Não é fácil jogar na Medideira. Sei bem do que falo. Por isso, foi mais difícil no Amora.


- Além dessa ligação ao Torreense, há ainda o Lourinhanense e o Sporting. O que significam estes três clubes para si?

- São os meus três grandes amores. Não consigo dizer que gosto mais de um do que do outro. Não consigo fazer um pódio porque todos eles foram e são importantes para mim. O Lourinhanense sinto que tenho um sentimento familiar. Fui o primeiro jogador a sair do Lourinhanense para o Sporting, abri as portas para os outros, para se fazer o protocolo de clube satélite. Tenho essa ligação umbilical, familiar. É a minha casa. Gostava de deixar aqui a homenagem ao meu Tio Chico que foi uma pessoa importante no meu trajeto enquanto jogador. O Sporting é outro grande amor. Foi lá que cresci enquanto homem, enquanto jogador. Fui internacional pelo Sporting, corri um bocado do Mundo pelo Sporting. Tive contrato até aos 22 anos, abriu-me portas incríveis. Aprendi muito e tenho os valores do Sporting. Eu sei o que é o Sporting. Depois, apareceu o Torreense, numa fase da minha carreira de jogador em que sentes que não consegues chegar a um patamar mais alto mas jogas num clube de segunda linha a nível nacional, em que te sentes motivado todos os dias. Depois de Espanha, jogar no Torreense foi o ponto mais alto da minha carreira. Eu fiquei no Torreense porque sentia-me jogador, sentia-me acarinhado, as pessoas gostavam de mim e eu sentia-me identificado com o clube. Tive convites da 2.ª Liga e rejeitei, porque já estava num clube de visibilidade nacional. Comprei casa em Torres, sentia que as pessoas gostavam de mim, sentia-me valorizado. Acabei por ficar muitos anos e construir esta ligação forte ao clube. Por isso, os meus três grandes amores são esses. Tudo em fases diferentes, tudo com paixões diferentes. O Lourinhanense está em dois períodos da minha carreira. No início e depois quando termino contrato com o Sporting e venho de Espanha e passo pelo Beneditense. Era um ano-chave. Caio no Beneditense e sentia-me perdido ali. A equipa desceu de divisão, eu estava desmotivado e o Miguel Pinto, presidente na altura, ligou-me para voltar ao Lourinhanense. A equipa não tinha grande qualidade individual, a verdade é esta, mas deu-me uma oportunidade de estar tranquilo, na minha terra. Voltei a casa, meti as ideias no sítio, fiz uma época muito boa a nível individual. Não posso esconder que me sentia muito acima do resto. Percebia o jogo a outro nível, estava bem acima dos outros jogadores e até golos fiz, foi a época com mais golos da minha carreira. Foi depois dessa época que fui para o Torreense, onde voltei a sentir-me jogador.


- Como jogador passou por Lourinhanense, Torreense e Sporting. Como diretor começou no Torreense. O objetivo será chegar ao Sporting?

- Não vou esconder que gostava. Nessas funções é sempre mais fácil trabalhares em clubes onde já estiveste, em sítios onde já foste feliz. Também não escondo que um dia, não sei quando nem sei se vai acontecer, gostava de trabalhar no Lourinhanense. Como diretor desportivo ou numa outra função. Há um grande potencial no Lourinhanense que não está minimamente aproveitado.


- Mas depois de Torreense, Amora e agora Cova da Piedade, o Lourinhanense não seria um patamar abaixo?

- Posso entender isso como uma verdade mas também é um facto que o Lourinhanense tem potencial para se projetar a nível nacional. O Torreense tem essa visibilidade. Vais a Braga ou a Guimarães e as pessoas conhecem o Torreense, reconhecem essa tal segunda linha do futebol português. O Lourinhanense também tem potencial para isso mas ainda ninguém pegou no clube e o projetou a esse nível. Já saíram jogadores do Lourinhanense para o Arsenal! Já lá passou uma geração que, se calhar, tinha os melhores jogadores do país daquelas idades. O Lourinhanense nunca tirou partido do que aconteceu no futebol na Lourinhã. Atenção, eu não conheço a realidade atual do clube, a sua gestão. Só estou a querer dizer que tem potencial, está à vista de todos. Está perto de Lisboa, no centro, com acessos fáceis.


- Qual o principal entrave para isso acontecer?

- Não conheço a realidade do clube, repito, mas para mim o grande entrave é a massa crítica. Não há. Tu cresces com a massa crítica. Se me dizem que fiz mal, eu tento fazer bem. Se ninguém disser nada eu vou continuar a cometer os mesmos erros, ou mais ainda. Aprendi isso como jogador, como diretor, como pessoa. Falta na Lourinhã uma visão desportiva diferente. Mais uma vez deixo claro que não sei como funciona agora, qual a visão, quais os objetivos, mas ao longo dos anos o Lourinhanense nunca tirou proveito do potencial que tem. Nem ao nível da formação. Quem foi o último jogador da formação a projetar-se a nível nacional? Se calhar o André Santos, que esteve pouquíssimo tempo e foi para o Sporting. Um jogador de 18 anos que jogue no Campeonato de Portugal é um ativo, tem de ser potenciado. Um júnior que vá aos seniores, numa equipa de dimensão nacional, vai à seleção. Tem de ir! Um miúdo de 16 ou 17 anos titular no Lourinhanense, no Campeonato de Portugal, vem logo o Filipe Ramos ou o Peixe [n.d.e. treinadores da Federação Portuguesa de Futebol] observá-lo. A identidade do Lourinhanense tem de ser essa. O Torreense também o tem. O Zé António, o Filipe Ramos, que foi campeão do Mundo… o Lourinhanense perdeu essa identidade, muita gente não se identifica com o clube. Uma das grandes valências de um clube é a sua identidade, é das coisas mais valiosas. E a identidade de um clube começa na formação. Muitas vezes isso não é com dinheiro. Antes do dinheiro vem a visão, o projeto. Se não apostas nos miúdos para os seniores não vais contagiar os outros miúdos. Lembro-me que quando eu fui para o Sporting, muitos miúdos do Lourinhanense ganharam vida! E eu, no Sporting, via colegas meus a saltar para outros patamares e que queria o mesmo. Hoje em dia um jogador com 16 anos, olha para os seniores e não vê oportunidades, ou sai do clube ou deixa mesmo de jogar. Deixam de sentir motivação para jogar futebol. Não posso falar muito mais, não conheço a realidade do Lourinhanense mas sinto que há esse potencial e eu, um dia, gostava de ajudar o Lourinhanense a chegar a essa segunda linha do futebol nacional.


- Falta a massa crítica mas… e a massa humana? Existe o suficiente para um clube de segunda linha a nível nacional?

- Falta a identidade de que falei. Quando apostas forte na formação, quando valorizas essa identidade, aumentas o número de pessoas a sentir o clube, as pessoas começam a sentir que o que se está a fazer é diferente. Se as pessoas de todo o concelho começarem a sentir que a equipa está com outra visão, outra ambição… até a Câmara Municipal tem todo o interesse em ter uma equipa num patamar superior. Aumenta a identidade da vila, aumenta o comércio, aumenta tudo… estás a fazer marketing através do futebol. Toda a gente ganha com um Lourinhanense forte. Agora, só consegues cativar fazendo diferente. Se todos os anos for igual, se todos os anos ninguém criticar… Se um clube é igual hoje ao que era há cinco anos, alguma coisa está errada. Não há-que fugir disso. No futebol, como na vida, estamos sempre a aprender, há sempre coisas novas a fazer. Agora, pode também não haver gente que queira fazer isso. Mas o Lourinhanense… sinto que perdeu a identidade, aqueles valores da formação, dos jogadores à terra. Quando esteve cá o Sporting foram batidos todos os recordes de adeptos, não tenho dúvidas. Porquê? Porque havia craques do Sporting mas também porque havia jogadores da terra, como eu. Nunca se perdeu essa identidade, mesmo estando cá o Sporting. Ou mesmo o Alverca. Foram os anos em que mais se apostou na formação.


- Essa aposta levou-o para o Sporting. E depois, faltaram oportunidades em Alvalade?

- Eram outros tempos, o futebol era diferente. Os treinadores olhavam para mim como um jogador baixo para o meio-campo, para a posição 6. Eu vou para Espanha por isso mesmo, porque o treinador queria alguém dinâmico naquela posição. Em Portugal, os treinadores queriam jogadores altos à frente da defesa, jogadores poderosos fisicamente. Depois, acho que tinha merecido uma oportunidade na 1.ª Liga. Até podia ir e depois voltar. Acontece. Mas uma oportunidade que fosse, como muitos outros tiveram, acho que eu merecia. Comecei a sentir que não era aposta no Sporting. Na altura a gestão do clube também era outra, não havia a aposta clara na formação que acontece hoje. Ia treinar à equipa A mas depois voltava, treinasse bem ou treinasse mal. Isso não é uma aposta. O único jogador que tirou verdadeiramente partido do facto do Lourinhanense ser satélite do Sporting foi o Boa Morte, que saiu da Lourinhã para o Arsenal. A nossa geração… fomos campeões nacionais de iniciados, juvenis e juniores! Eu, o Patacas, o Carlos Fernandes, o Nuno Santos… nos juniores havia jogadores que nem jogavam e iam à seleção. Havia mesmo muita qualidade.


- Nunca pensou que o salto do Lourinhanense para o Sporting foi um salto maior do que a perna?

- Não. E digo não porque cheguei ao Sporting e fui sempre titular. Dos iniciados aos juniores. Passados dois anos já era um dos capitães do Sporting. Faltou foi depois essa oportunidade na transição dos juniores para os seniores. Eu saí do Sporting para ser emprestado a um clube da 3.ª Divisão, o Lourinhanense. O Ricardo Carvalho, do FC Porto, foi emprestado para o Leça, da 2.ª Liga. Logo aí o crescimento fica estangado. Estávamos num patamar de evolução muito à frente para uma 3.ª Divisão. Acabei por perceber que tinha de subir a pulso, nunca tive o apoio que devia ter por parte do Sporting, não houve esse acompanhamento. A mim e a outros. Houve muitos que saíram da rota do Sporting e depois apareceram a jogar na Liga por via de outros clubes, como o Nuno Assis, que saiu para o Gil Vicente e depois chegou ao Benfica. Felizmente o futebol mudou. Na altura os clubes endividavam-se muito. Hoje em dia as SAD têm de faturar e há menos medo de apostar na formação.


- Entre a experiência no Amora e o novo projeto no Cova da Piedade, houve uma experiência em televisão e no Sporting, como comentador da Sporting TV. Como surgiu e como correu?

- Olha, foi quase como a de diretor desportivo. Alguém que fez o trabalho de casa no Sporting e percebeu que eu podia ter capacidades como comentador, pelo meu passado no Sporting. Não estava à espera, claro. Fiz antevisões, fiz rescaldos… foi uma experiência enriquecedora. É diferente mas senti-me bem ao fazê-lo. Claro que não é aquilo que mais quero fazer mas senti-me bem a dar a minha opinião.


Texto e Fotos: Revista Amor à Camisola

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