EMPRESA COSTA PUBLICIDADE “ATÉ FAZ IMPRESSÃO”

Pedro Costa é um amante de futsal e empresário de sucesso na área da serigrafia


De cada vez que assiste a uma modalidade desportiva no pavilhão do Benfica, saiba que a pintura do piso foi realizada por uma empresa de Torres Vedras. As impressões das bolas Adidas da final da Liga dos Campeões de futebol que se realizou em Lisboa, em 2020, também foram impressas pela mesma empresa, a Costa Publicidade, fundada há 27 anos e propriedade de Pedro Costa, empresário torriense de 53 anos, antigo jogador de futsal.

Jogou hóquei em patins na formação da Física, mas depois dedicou-se ao futsal, ainda no tempo em que a modalidade se chamava futebol de salão e as equipas eram essencialmente de empresas. Jogou em campeonatos e torneios por várias equipas, nomeadamente, Casa Beirão, Xamar, Modas Caetano ou Gareal, em Torres Vedras, e também em Lisboa, pelo Atlético, numa altura em que apareceu o Sporting e os grandes clubes passaram a dominar a modalidade.

Mais recentemente teve uma equipa durante três anos a disputar a Benfica Futsal League, competição organizada pelo Benfica para empresas e que a Costa Publicidade venceu nessas três edições. Aí nasceu uma ligação ao clube da Luz, onde fez amigos na secção de futsal.

Em entrevista, Pedro Costa fala-nos dessa experiência desportiva e do crescimento e atividade da sua empresa de publicidade e serigrafia, com sede em Torres Vedras.


Como e quando nasceu a empresa Costa Publicidade?

Foi fundada há 27 anos e nasceu porque havia empresas na cidade a fazer serigrafia e eu vi que trabalhavam mal na parte do desporto, de imprimir camisolas, por exemplo, porque é um trabalho muito chato e ninguém quer fazer, é preciso imprimir uma a uma, com o número e o nome do jogador, é uma coisa muito específica. Comecei logo por essa área.


E como é que surge a oportunidade de trabalhar com o Benfica?

Graças à qualidade do trabalho cada vez fomos tendo mais clientes. Até que um dia chegou o Benfica e passámos a trabalhar com as modalidades do clube. Para a equipa principal de futebol fazemos pouco, mas de resto produzimos os equipamentos todos para o futebol feminino, o hóquei em patins, o andebol, o basquetebol, o futsal, o voleibol, o râguebi e outras. Mas também fazemos impressões para camisolas de várias equipas da primeira liga de futebol, como o Sporting de Braga, futebol e futsal, o Vitória de Guimarães, o Farense, etc.


Como é que aconteceu essa expansão?

Através do passa-palavra, os clubes vão falando uns com os outros. Lembro-me de o Sporting da Horta nos contactar porque os números e a publicidade nos equipamentos deles caíam e perguntaram a um diretor do andebol do Benfica quem é que fazia os equipamentos para eles e assim foi. Fizemos há três anos um trabalho grande para o Petro de Luanda, equipámos o clube todo, desde o merchandising às roupas de treino e de jogo para as modalidades todas. Depois íamos fazer para mais clubes de Angola, mas veio a pandemia e obrigou-nos a parar.

Mas houve outros trabalhos, como por exemplo o piso dos pavilhões do Benfica e a bola oficial da final da Champions.

Para esses jogos da final da Champions em Lisboa a Adidas contactou--nos para imprimir as bolas de jogo. Quanto aos pavilhões, são já vários os que fizemos, Barreirense, Paço d’Arcos, Vilar Formoso e o da Física para o Europeu de Juniores de Hóquei em Patins, por exemplo. Há um mês fizemos os dois pavilhões da Luz, pusemos o chão todo com cor, tanto tinta como vinil. É sempre um orgulho ser uma empresa de Torres Vedras a fazer isso.


Toda esta notoriedade abriu-vos portas além-fronteiras, como o Luxemburgo?

Abri uma empresa no Luxemburgo com um amigo meu que está lá, a Costa Publicité. Há lá uma grande falta deste tipo de trabalho e o que há é caro e não tem qualidade igual à nossa. É tudo produzido aqui, em Torres Vedras, na minha fábrica, e sai num camião todas as semanas.


E entretanto no Luxemburgo apareceu o futsal...

Esse meu amigo convidou-me para ajudá-lo a montar uma equipa lá, o CS Sanem, que ficou em segundo lugar no campeonato o ano passado, onde está o Pedro Costa, que jogou no Benfica e no Torreense; o Zé Maria, que jogou também no Benfica; o Nuças, conhecido de algumas equipas da região; e outros jogadores, como o Patarrana e o Pinheiro, que são torrienses. Espero que seja para continuar e esperamos ser campeões este ano.


Qual o tipo de trabalho que representa o maior volume de encomendas da Costa Publicidade?

Neste momento o nosso trabalho mais importante é a impressão têxtil em serigrafia, fazemos de cinco a sete mil peças por mês e temos clientes de norte a sul do país. Fazemos têxteis para clientes desde a Universidade do Algarve a empresas de jardinagem do Porto. Estamos praticamente em todos os grandes eventos em Portugal, como a Volta a Portugal em Bicicleta.


Está prevista a expansão para outros países?

Isto é um trabalho muito especializado que nós temos de acompanhar. Eu vou ao Luxemburgo com alguma regularidade, ou vai alguém aqui da empresa, pelo menos duas vezes por mês. Para abrir noutros países teria de haver o mesmo acompanhamento e então deixamos de ter qualidade de vida em prol do dinheiro, mas eu prefiro ter uma rica vida e não uma vida rica.


Quem são os seus maiores clientes de Torres Vedras?

Temos vários, em Torres Vedras e em todo o país, como a Patrícia Pilar, o Luís Vicente, a Adega de S. Mamede da Ventosa, a Campotec, a Joper, a Tomix, os Transportes Paulo Duarte, a Azeol e depois também marcas como Adidas, Podium, Semente, New Coffee ou Listor. Nos têxteis somos o maior representante da Roly no Oeste..


A empresa também tem acompanhado a evolução tecnológica nesta área?

Sim, o ano passado investimos numa máquina nova de impressão digital que trabalha com tintas ultravioleta, muito bom para os autocolantes, para o vinil e para impressão de telas. É uma tinta que resiste às intempéries e aos raios solares, dou uma garantia de cinco anos e veio resolver o problema de às vezes as tintas nas telas desaparecerem mais facilmente com o sol. Com este tipo equipamento ganhámos clientes, como as imobiliárias, com as quais já trabalhávamos mas ficámos com mais, sobretudo o Remax. Ganhámos outro cliente com essa máquina, as tintas CIN, para a qual fazemos as telas para o país inteiro.


Mas a Costa Publicidade tem reputação sobretudo nos têxteis. Porquê?

O sucesso dos têxteis deve-se muito a um tipo de tinta que nós usamos que tem uma espessura especial e uma durabilidade muito grande. Posso dizer que ainda vejo hoje gente com t-shirts do Ocean Spirit de 2008.


Qual é o segredo dessa tinta?

Penso que o segredo foi a aposta numa tinta que precisa do dobro do trabalho para produzir uma t-shirt, e talvez seja por isso que outras empresas fogem deste sistema de produção, mas nós achamos que demora mais tempo mas os resultados são muito melhores. Além disso é uma tinta ecológica, porque é reciclável.


Qual a evolução de 27 anos até agora?

O nosso slogan é “até faz impressão”. Às vezes há pessoas que chegam aqui a uma terça-feira e precisam do trabalho para quinta-feira e nós dizemos que sim e as pessoas respondem “até faz impressão como é que vocês conseguem”. Fui ouvindo isso e adotei o slogan, que serve para o tempo da nossa entrega, para a qualidade e ao mesmo tempo tem que ver com impressão.


E para o futuro quais vão ser as grandes apostas da empresa?

Muito provavelmente vai passar por abrir uma loja e uma fábrica em Faro. Trabalhamos muito para a Universidade do Algarve e temos muitos clientes lá em baixo que nos foram comprando coisas e fomos vendo pela qualidade e preço que eles estavam habituados que era um mercado muito bom a explorar.


Como é que enfrentou a pandemia, especialmente a trabalhar em desporto e para a hotelaria?

A sorte é que o desporto profissional nunca parou. A parte da formação e o facto de não estarem a jogar as equipas amadoras aqui da região afetou, é óbvio que sim, e muito. Mas a empresa conseguiu resistir e estivemos a trabalhar sempre.

Em relação à roupa para hotelaria temos uma parceria com uma fábrica no norte que nos garante entregas rápidas e têxteis de qualidade.



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