Do TORNEIO, ao futebol, DO OESTE


O Torneio do Oeste foi a minha base como ponto de partida desta crónica, que tem como propósito a análise às equipas do Oeste que este ano participam no Campeonato de Portugal. Não sei bem em que ano começou o Torneio do Oeste, nem sei exatamente qual a sua última edição (podia ter ido investigar, mas não era esse o objetivo), no entanto sei que deve ter sido criado por presidentes de clubes com visão, que certamente pretendiam criar um Torneio de Pré época que permitisse um índice mais competitivo que os jogos amigáveis, que não obrigasse a custos elevados, que permitisse divulgar as empresas da região e que permitisse aos adeptos ter aquele rivalidade tão salutar (se formos ver, estavam à frente do seu tempo, pois é o modelo atualmente aplicado pelos maiores clubes do mundo, logicamente com outra escala). Apesar de vários formatos, originalmente os clubes envolvidos foram o SCU Torreense, o Caldas SC, o SC Lourinhanense e o GD Peniche, que jogavam todos em competições nacionais embora em divisões diferentes, o que trazia sempre um caracter mais interessante, pois colocava em campo, equipas que normalmente não se defrontavam nos seus campeonatos. A mim particularmente era um torneio que me agradava e que sempre que conseguia boleia, fazia questão de ir ver. Curiosamente numas das últimas edições, tive a oportunidade de participar, enquanto treinador adjunto do SC Lourinhanense, numa edição que acabamos por vencer, numa época que acabou de forma negativa, com a descida do Lourinhanense aos campeonatos distritais da AF Lisboa.

Este ano curiosamente três dessas equipas encontram-se a disputar a mesma competição, apenas o GD Peniche está na distrital da AF Leiria, pelo que vou fazer uma análise às três equipas que disputam a série F do Campeonato Portugal, nesta época 2020/21.

Neste processo de reflexão e análise das equipas, dei por mim a identificar um conjunto de características que podem associar o clube à sua região e aos objetivos competitivos para esta época, assim temos: O SCU Torreense, que tem sede no concelho de Torres Vedras com cerca de 79 mil habitantes (27 mil na cidade) e que tem apresentado um crescimento demográfico muito interessante, é o espelho de uma cidade jovem, arrojada, moderna, com muitas iniciativas empresariais e que está a posicionar-se de um modo muito interessante, acompanhando as tendências atuais. Os objetivos do clube estão alinhados com a cidade, ou seja a subida de divisão para a Liga 2, ou seja para um patamar profissional, e estão a preparar-se para isso, pelo menos a contratação do experiente mister Filipe Moreira a isso obriga, pois o seu passado recente mostrou a sua ambição e competência, com a subida do Vilafranquense à Liga 2 e o excelente início nessa competição e a própria estrutura do clube também, alicerçada num forte projeto empresarial que mostra a preparação para o próximo patamar.

Já o Caldas SC, representa fielmente a sua cidade, as Caldas da Rainha, que tem cerca de 27 mil habitantes (num total de 51 mil de todo o concelho), que apresenta traços de maior conservadorismo, de um modo mais austero, dando passos muito consolidados e que não arrisca em aventuras, parece quase as empresas familiares, com grandes valores e com um sentido muito grande de responsabilidade. Os seus objetivos também aqui estão alinhados, tentar entrar na futura Liga 3, mas sem aventuras, e nesse sentido têm uma estrutura técnica liderada pelo mister José Vala, que já vai na sua 5ª época consecutiva à frente da equipa, com um plantel que tem uma base de jogadores da casa, que representam o clube à vários anos e que servem de apoio para os novos que vão acrescentando valor à equipa, mas sempre dentro dos valores do clube. Mais uma vez não prometem o que não podem cumprir, mas não tenho dúvidas que vão estar na luta para entrar na Liga 3.

Quanto ao SC Lourinhanense, também é um clube que reflete a sua vila, com menos habitantes, com menos recursos (aqui pensamos em menos empresas), e que um pouco como o tecido empresarial, por vezes entra em projetos um pouco mais ambiciosos, que nem sempre correm bem, mas que nunca vira a cara à luta. O seu objetivo é claramente a manutenção, num plantel que foi inicialmente projetado para disputar a subida ao Campeonato de Portugal, viu-se nessa competição sem ter muito tempo para se reajustar. Face ao que vi nos jogos contra o FC Alverca e na recente eliminatória da Taça de Portugal contra o UD Santarém, que apesar de ter vencido no campo, acabou por perder na secretaria, parece-me que é uma equipa lutadora, bem organizada, com alguns jogadores interessantes mas principalmente consciente das suas limitações e que vai disputar cada jogo, com uma entrega e intensidade elevada, que vai ser determinante para atingir o objetivo.

Termino fazendo um apelo aos dirigentes destes clubes, reativem o Torneio do Oeste, nem que seja uma Edição Especial, e que o possam fazer assim que for possível ter público nos estádios, fazendo uma homenagem a todos os sócios dos diferentes clubes, que não podendo assistir aos jogos no estádio, não desistem do seu clube e continuam a acompanhar o dia a dia dos clubes e a assistir aos jogos via meios alternativos. Seria uma excelente notícia para todos nós.

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