BIQUEIRADAS

JOAQUIM RIBEIRO

Jornalista Profissional desde 1987 (CP 972A), 

Licenciatura e Mestrado em Antropologia com 

especialização em Imagem e Comunicação.

quimribeiro@gmail.com 

Há bola mas não podemos ir à bola

 

Ora então parece que afinal vai haver bola. Mas não podemos ir à bola. Isto dava para fazer uns trocadilhos. Por exemplo: há malta que não vai muito à bola com a bola, ou o pessoal fala de bola mas no fundo de bola percebe bola.

Bem. O que se passa é o seguinte: encher estádios com claques barulhentas está fora de questão até passar a pandemia. Há campeonatos na Europa que fecharam a loja por esta época. Outros vão prosseguir, mas com cuidado, como dizia o impagável diácono Remédios.

Na Alemanha já voltou o futebol, embora com estádios vazios. Aquilo parece um treino. Ouvem-se as instruções dos treinadores para dentro do relvado e quase se percebem as conversas entre jogadores. Podiam usar as aparelhagens dos estádios para simular cânticos das claques ou uns gritos a cada golo, uns "ahhhhh" a cada passe errado e até podiam adicionar, sugiro eu, uns insultos bem metidos de cada vez que o árbitro marcava uma falta ao contrário.

É certo que alguém tinha que decidir os diferentes sons e fazê-los encaixar nas diversas situações de jogo. Mas ou bem que há tecnologia ou bem que não há. E a verdade é que há. Por isso, era meterem um fulano afecto a cada equipa com sons pré-definidos adequados a cada situação e depois era só carregar num botão.

Dos jogos que vi do campeonato alemão sem espectadores, onde até houve golos de jogadores portugueses, reparei noutros detalhes interessantes. Os jogadores evitam tocar-se e no festejo de cada golo não há aqueles moches que sempre me deixaram em suspenso à espera de ver se o tipo que ficou por baixo saiu dali vivo. Os cumprimentos são à cotovelada, que é coisa que muitos defesas centrais já faziam bastante bem, e nas substituições não há os abraços e os beijinhos habituais, que por mim até acho dispensável.

Em Portugal o campeonato também vai recomeçar, dentro das mesmas condicionantes. Já está tudo a ferver, caraças! Até voltaram os insultos clubísticos e as birras dos chamados "grandes", que nestas coisas são sempre "pequenos". Só faltam os programas de gritaria nas televisões. Ai que saudades!

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