Hoje Não, Joga o Lourinhanense

MÁRIO RUI VENTURA

26 Abril, 2020

Não brinquem com os pequeninos. Foi a 8 de março – parece uma eternidade e, de facto, já lá vão quase dois meses – que o Lourinhanense jogou pela última vez. Em casa, no nosso Municipal, e perante o líder do campeonato, o Pêro Pinheiro. Resultado?

Não brinquem com os pequeninos. Foi a 8 de março – parece uma eternidade e, de facto, já lá vão quase dois meses – que o Lourinhanense jogou pela última vez. Em casa, no nosso Municipal, e perante o líder do campeonato, o Pêro Pinheiro. Resultado? 2-1 para o Lourinhanense, que permitiu não só ganhar folgada distância no 2.º lugar como ficar a apenas um ponto da liderança. Feitas as contas, nunca o Lourinhanense tinha estado tão perto do ansiado regresso aos nacionais. Uma série de dez jogos consecutivos sem perder, com uma incrível sequência de sete triunfos seguidos, incluindo o tal líder Pêro Pinheiro. E, diante dos adversários diretos, a vantagem era por demais clara: 0-0 na 1.ª volta com o Pêro Pinheiro, fora, e agora triunfo por 2-1; ao Atlético, 3.º classificado, a goleada histórica por 5-1 em casa, ainda a aguardar jogo da 2.ª volta; ao Ericeirense vitória por 2-0 em casa e empate 3-3 fora. A liderança estava a um ponto, o segundo lugar provavelmente até daria a subida ao Campeonato de Portugal mas o sonho, cada vez mais perto de ser realidade, esfumou-se devido à pandemia de Covid-19 no país. O campeonato foi primeiro suspenso, em março, depois mesmo cancelado, em abril. Foi no dia 8 que Nuno Lobo, presidente da AF Lisboa, anunciou o cancelamento dos campeonatos distritais e deixou claro que «os critérios e os termos» seriam definidos posteriormente, depois de uma reunião com a Federação Portuguesa de Futebol para, cito, «sabemos se haverá subidas nos nossos distritais de futebol e nos nacionais.» Dessa reunião nada saiu, de concreto, as subidas dos campeonatos distritais ao Campeonato de Portugal permanece uma incógnita, bem como os moldes em que poderia ser feito – há uma enorme corrente de clubes que defende o alargamento do nacional, com mais uma série -, mas a AF Lisboa decidiu, surpreendentemente, no passado dia 24, agir por conta própria. Depois de anunciar o cancelamento das competições, decidiu que, apesar dos campeonatos não terem sido terminados, vão existir, na mesma, subidas de divisão. Subidas sim, descidas não. Critério? Não existiu. E disse mais: as subidas não são automáticas, porque nenhuma competição terminou, antes por convite, cabendo às equipas em questão aceitarem ou não essa promoção. Parece tudo complicado mas facilmente se entenderá: é que na série 2 da 2.ª Divisão existe uma equipa que é mais equipa que as outras. Líder incontestado, até porque possui jogadores profissionais no seu elenco, o Belenenses iria ter enorme tombo nas suas aspirações com a decisão que todos esperariam ter sido final, ou seja, que os campeonatos seriam anulados e tudo começaria do zero. O Belenenses, que se separou da sua SAD, a competir no principal escalão do futebol português, perderia todo um ano de competição, onde demonstrou inequivocamente superioridade perante os adversários, e um ano no seu objetivo de chegar ao patamar superior do nosso futebol. E o peso do Belenenses, já se sabe, é incomparavelmente superior aos demais, por mais que se tente desmentir. Abriu-se uma exceção, claro que alargada a todos os outros líderes de campeonatos distritais, mas abriu-se também um precedente bem perigoso. Na prática, o Belenenses estará, na próxima época, na divisão do Lourinhanense. Mas não teria o Lourinhanense – e mesmo o Pêro Pinheiro, atenção – o mesmo direito de subir, por mérito, ao escalão superior, neste caso o Campeonato de Portugal? Pois, mas aí é a FPF que manda. E a FPF não abre exceções. Pelo menos aos pequenos.

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